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2026: o ano da verdade

O Brasil que queremos passa pela força organizada do povo

Por José Carlos Pigatti

Este ano não será apenas mais um no calendário. Para além da Copa do Mundo e do nosso Carnaval – expressões da alegria e da identidade popular -, o Brasil ficará diante de uma encruzilhada histórica. O que estará em disputa não é apenas uma eleição, mas um projeto de sociedade, um rumo civilizatório, uma escolha entre aprofundar a democracia ou permitir o retrocesso autoritário.

O que vivemos hoje é um embate claro entre dois campos. De um lado, a construção de uma democracia que inclui o povo no orçamento público, que entende saúde, educação, assistência social e trabalho digno como direitos – não como privilégios. Do outro, um projeto conservador e elitista, que concentra riqueza nas mãos de poucos, retira recursos das políticas públicas e naturaliza a exclusão como destino.

Mais do que números eleitorais, 2026 coloca em jogo o vínculo político com as bases sociais que sustentam o campo democrático: o povo trabalhador, a juventude, as mulheres, a população negra, os que vivem nas periferias e nos interiores do país. Ganhar as eleições em 2026 não é um fim em si mesmo. É parte de um compromisso maior: enfrentar desigualdades estruturais e garantir que a democracia tenha sentido concreto na vida das pessoas.

Por isso, será o ano da verdade. O momento de tornar visíveis os efeitos reais das políticas públicas no cotidiano do povo. O desafio não é apenas governar, mas comunicar com clareza, transparência e honestidade: mostrar como cada escola reaberta, cada emprego gerado, cada prato de comida garantido é resultado de escolhas políticas.

No campo econômico, o desafio é combinar responsabilidade fiscal com compromisso social. Em um mundo instável, o Brasil precisa afirmar um caminho próprio: crescimento com geração de empregos, investimentos públicos e privados, políticas de renda e ampliação do crédito. Não há contradição entre equilíbrio econômico e justiça social – há, sim, um projeto que coloca a economia a serviço da vida.

Vivemos, porém, em um ambiente marcado pela polarização e desinformação. A extrema direita segue apostando no ódio, na mentira e na deslegitimação das instituições democráticas. Seu método é o conflito permanente, o ataque às regras do jogo e a tentativa de destruir o próprio sentido da política. A resposta do campo democrático não pode ser apenas eleitoral. Trata-se de uma disputa de valores, de cultura e de projeto de país.

Defender a democracia é defender o debate público, a pluralidade de ideias e a política baseada em propostas – não na eliminação do adversário. Democracia pressupõe confronto de ideias e construção de sínteses que atendam à maioria, especialmente aos que mais precisam.

Diante dessa responsabilidade histórica, que ultrapassa fronteiras partidárias, o povo trabalhador tem papel central. Cabe a ele articular, dialogar e ajudar a construir consensos em torno de um projeto nacional comprometido com direitos, justiça social e fortalecimento das instituições. O desafio é a coerência programática: uma agenda comum que defenda a educação pública, a sustentabilidade ambiental com justiça social, a igualdade racial e de gênero e um sistema de proteção social forte.

Um campo democrático forte é aquele que enfrenta o autoritarismo sem medo, mas que também apresenta respostas concretas para o futuro do país.

O Brasil de 2026 precisa de um projeto político que transforme a vida de milhões. Este ano será decisivo não apenas pelas eleições, mas pelo significado profundo que carrega para a democracia brasileira. Será o ano da confirmação do ciclo de reconstrução – não só para o campo progressista, mas, sobretudo, para o povo trabalhador.

Nosso dever é claro: reafirmar o compromisso com a democracia, com a justiça social e com um país que olhe para o futuro. Com coragem política, responsabilidade econômica, cuidado com o meio ambiente e respeito a todas as formas de vida. O Brasil que queremos passa, inevitavelmente, pela força organizada do povo.

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