Os prefeitos Luciano Rezende (Vitória), Audifax Barcelos (Serra), Rodney Miranda (Vila Velha) e Juninho (Cariacica) têm muitos mais pontos em comum do que se possa imaginar. Partindo para o último ano do mandato, os quatro fizeram gestões muito aquém das expectativas do eleitorado, e agora correm atrás do prejuízo. Recorrem à propaganda como último recurso para salvar suas gestões.
Durante a campanha eleitoral, os candidatos, puxado por Luciano, usaram e abusaram do discurso da mudança. Todos prometiam fazer gestões ousadas, modernas, revolucionárias, em oposição às administrações “obsoletas” atribuídas aos seus antecessores e adversários diretos que já haviam governado as prefeituras em disputa.
O eleitor deu um voto de confiança aos “candidatos” que vinham com ''sangue novo'', na expectativa de que pudessem promover as esperadas mudanças.
No primeiro ano, praticamente nada aconteceu em Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica. Os novatos alegavam que precisavam de tempo para pôr a casa em ordem. Todos eles faziam o mesmo discurso: culpavam as gestões anteriores pela inércia inicial; queixavam-se da bagunça administrativa legada pelos antecessores, sobretudo as dívidas.
No segundo ano, a expectativa era de que os novos gestores finalmente pusessem em prática as inovadoras gestões. Ledo engano. Em ano eleitoral, todo mundo sabe, quase nada funciona justamente porque é ano eleitoral. A agenda administrativa acabou sendo paralisada para abrir espaço para a agenda política. Resultado, quando se piscou os olhos vieram as eleições e ano acabou.
2015 está no final, mas não precisa fazer um exercício de reflexão para chegar à conclusão que este é um ano nulo. Os prefeitos podem justificar que não puderam fazer nada simplesmente porque não havia dinheiro: ou alguém vai questionar a crise? Aliás, a crise, além de explicar a inércia deste ano, deve servir também para justificar tudo que não poderá ser entregue em 2016.
Mas o ano de 2016, além da crise, reserva aos gestores um desafio ainda maior: os quatro buscam a reeleição. Luciano, Audifax, Rodney e Juninho terão que convencer os eleitores que são merecedores de uma segunda chance.
Porém, por mais condescendente que seja o eleitor, é difícil destacar alguma grande realização produzida nestes três anos pelos comandantes das quatro principais cidades do Estado. Ao contrário, é muito mais fácil lembrar dos episódios negativos.
Como se esquecer da viagem de Rodney à Disney, quando Vila Velha era arrebatada por um verdadeiro dilúvio; da recente bola fora de Luciano com o fiasco do Integra Vitória; da instabilidade administrativa da gestão de Juninho, que mudava os secretários como quem troca de camisa; ou das promessas de campanha não cumpridas por Audifax, que alega que não as cumpriu por “responsabilidade”.
Se agora os cofres estão vazios para cumprir as promessas eleitorais, não tem faltado dinheiro para publicidade. Luciano, Audifax, Rodney e Juninho têm destinado milhões no processo de recuperação de suas imagens. Luciano, por exemplo, como destaca a coluna Socioeconômica desta segunda (7), já gastou R$ 17 milhões com publicidade este ano e pretende gastar em 2016, mesmo alegando estar com o caixa vazio para cumprir outros compromissos, outros R$ 11,5 milhões.
Rodney, outro que tenta desesperadamente resgatar sua imagem do fundo do poço, foi alvo nesta segunda-feira (7) na Assembleia, justamente, em função dos gastos exorbitantes com publicidade. Os deputados apontavam a contradição entre a campanha publicitária da limpeza e a redução dos contratos da prefeitura com as empresas que prestam o serviço, que estão recebendo cada vez menos e já não conseguem fazer o serviço de limpeza da cidade com a mesma qualidade.
Sem resultados para apresentar à população, o quarteto deposita suas últimas esperanças na propaganda. A estratégia dos quatro é a mesma: construir uma vistosa embalagem para esconder as falhas do produto. Vai funcionar? Não se sabe. As urnas irão mostrar se a propaganda será capaz de transformar gestões medíocres em administrações bem-sucedidas.

