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A arte de batucar teclinhas

Ema é jovem e alegre, mas é tímida. E não está sozinha: os tímidos formam uma vasta confraria à parte do mundo real. Em tempos tão competitivos, o tímido precisa de mais energia e mais qualidades para vencer na vida  do que o comum dos mortais.  O que pode ser uma simples tarefa para o extrovertido, para o tímido é um calvário. Mas pior do que o sofrimento de enfrentá-lo, é o desgosto por não conseguir tentar.
 
E como os opostos se atraem, Ema se apaixonou por Carlos, tão extrovertido que chega a ser exibido. Em sendo irremediavelmente tímida, Ema quer sempre passar despercebida. Mas como, quando se tem um exibicionista falando o tempo todo, com todo mundo? Tudo com Carlos é no “Deixa comigo!” e a esposa morre de vergonha, porque o marido ou fala muito alto, ou fala o que não deve. Mais das vezes, as duas coisas. 
 
O oposto de extrovertido é introvertido, termo que indica pessoas que preferem estar sozinhas e não apreciam os ambientes festivos. As estimativas são de que 30% das pessoas são introvertidas. Mas ser tímido é outra história, embora a maioria dos tímidos seja também introvertida. O tímido evita situações sociais, mesmo quando  deseja participar, talvez por medo de estarem sendo julgadas.  O introvertido nada teme, apenas prefere ficar sozinho.
 
Na história de amor de Ema e Carlos, foi ele quem a escolheu, porque um extrovertido quer brilhar sozinho.  Carlos está sempre “achando” festas e eventos imperdíveis, enquanto Ema trabalha contra, “Nessa eu não vou, e pronto!” Em indo, Ema  se senta a um canto, quanto menos pessoas tiver que cumprimentar, melhor. Carlos, ao contrário, é a alma da festa,  sempre com uma piada, ou a última notícia, ou o novo revés da penúltima notícia.
 
Mas não lhe basta ser o centro das atenções, e a todo momento se vira para a pobre Ema, “Como foi mesmo, Ema?”   A vida da Ema não é fácil. Suas opções de emprego são limitadas por causa de suas dificuldades de comunicação. Trabalhos que precisem falar, seja para os colegas mais chegados, ela nem chega perto. Falar em público? Nem pensar, mesmo se o público for formado por duas pessoas. 
 
 Para Ema e os demais tímidos de carteirinha, a Internet foi a maior invenção de todos os tempos. Claro que para os outros também, mas o tímido gosta mais. Por que sair de casa se a gente pode se divertir batucando teclinhas de computador, sem ter que falar com ninguém? E tem os sites de relacionamento… onde, aliás, Ema e Carlos se encontraram. Também a Internet lhe deu o emprego ideal – sendo tradutora de textos, ela pode trabalhar em casa.
 
Carlos é vendedor de carros, ofício que o faz encontrar pessoas estranhas e falar o tempo todo. Se ficar calado, não vende.  Mas tudo isso é no social. No aconchego do lar, a situação se inverte e é Ema quem fala o tempo todo e  reclama de tudo. Carlos, talvez cansado de falar  o dia todo,  se cala. E se refugia na Internet – por que discutir com Ema se ele pode se divertir batucando teclinhas no computador?  
 
 
 
    

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