O posicionamento da bancada capixaba na ocasião da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff foi muito clara. Tirando os dois deputados do PT – Helder Salomão e Givaldo Vieira –, os demais deputados federais apostaram no calor do momento e votaram favoravelmente ao afastamento da presidente. Esse posicionamento, porém, não foi uma escolha fácil.
O episódio exaltou os ânimos e dividiu o País. Mas errou quem apostou que agradando a maioria e seguindo a onda do momento cairia nas graças do povo. Se por um lado houve um grande apoio ao posicionamento dos deputados que defendiam o afastamento de Dilma, há, de outro lado, um contingente muito descontente com o “Fora Dilma”. Alguns deputados estão sentindo na pele que não votaram em uma unanimidade.
Recentemente, o deputado federal Max Filho (PSDB) foi chamado de golpista na audiência pública promovida pelo deputado Sérgio Majeski (PSDB) sobre a extinção do programa de Educação de Jovens e Adultos, na Assembleia.
Em São Mateus, norte do Estado, o comentário é que um dos fatores não revelados pelo deputado Jorge Silva (PHS) para sua saída do processo eleitoral seria o fato de ele também estar sendo cobrado por uma parcela da população mateense sobre o voto dado a favor do impedimento da presidente.
Sérgio Vidigal foi alvo de um “escracho” em frente a sua casa em Manguinhos, na Serra por ter desafiado o PDT para tirar Dilma. E o que dizer dos aliados do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, Carlos Manato (SD) e Evair de Melo (PV). Os deputados escolheram um lado, muito bem! Mas isso tem custos e alguns já estão começando a pagar.
E a coisa pode ficar pior. Os pacotes de ajustes que vêm sendo implementados pelo presidente interino Michel Temer, aliado a alguns escândalos e o sumiço de Aécio Neves (PSDB) do cenário político, pode aumentar a conta a ser apresentada aos deputados. Como grande parte não disputará a eleição deste ano, essa conta tem data para ser cobrada: outubro de 2018.
Fragmentos:
1 – Depois que a coisa ficou feia para o lado do presidente da Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ninguém mais quer andar do lado dele. Mas nem sempre foi assim.
2 – Lembro-me como se fossem ontem o dia em que Eduardo Cunha esteve na Federação das Indústrias do Estado (Findes) na campanha à presidência da Mesa da Câmara. O deputado atrasou e assim como a imprensa, três deputados federais ficaram esperando mais de uma hora a chegada de Cunha.
3 – Eram eles: Carlos Manato (SD), Evair de Melo (PV) e Marcus Vicente (PP). Quando chegou, o peemedebista veio acompanhado dos correligionários Lelo Coimbra e Rose de Freitas.

