Não demorou nada para que a classe trabalhadora sentisse o peso do golpe que se estabeleceu por este governo de exceção que é conduzido por Michel Temer. Depois de uma entrevista coletiva na última sexta-feira (13), em que o novo ministro da Fazenda Henrique Meireles mostrou quem realmente é, disparando contra a Previdência Social e querendo mexer na idade mínima para a aposentadoria, o presidente interino chamou as centrais para conversar.
Imediatamente, o pseudosindicalista, deputado Paulinho da Força, apresentou-se para legitimar o golpe. Fez um discurso de descontente para dizer que as centrais não vão aceitar a manobra do governo, como se não fizesse ele parte do golpe. E ainda adiantou que a Central Única dos Trabalhadores não participaria do encontro nessa segunda-feira (16).
A CUT mordeu a isca e anunciou que não iria. Deveria ter ido. Sim, a Central deve se manter mobilizada, levando os movimentos sociais para as ruas e cobrando o retorno do Estado Democrático de Direito. Mas também deveria ter ido à reunião e dizer que Paulinho da Força não tem legitimidade para falar em nome dos trabalhadores. A central que ele diz representar negocia politicamente apoios em vez de lutar por uma pauta de direitos dos trabalhadores.
A CUT deveria também dizer diretamente a Michel Temer que não o reconhece como presidente e que não aceitará os desmandos de sua interinidade, sobretudo no que diz respeito ao retrocesso que seria mexer nos direitos trabalhistas.
Quanto à rua, a CUT deve buscar o apoio dos demais movimentos sindicais, como o Movimento Sem Terra e o Movimento Estudantil e garantir a mobilização permanente, para atender ao chamado da presidenta Dilma em seu discurso de saída.
Deveriam os movimentos terem se levantado antes, para impedir que isso acontecesse. Agora que a água está subindo, e rápido, é bom que haja uma reação na mesma intensidade daquela que sustentou o golpe.
Avante, trabalhador!

