Desde o estouro da crise da segurança pública, no início de fevereiro, o governo do Estado aponta o dedo em várias direções tentando responsabilizar alguém pelo caos instaurado no Estado e que nas periferias da Grande Vitória continua sem controle. Mesmo diante do imenso desgaste, dentro e fora do Estado, o governador Paulo Hartung (PMDB) e a cúpula da Segurança no Estado continuam fingindo que não têm responsabilidade na situação.
Primeiro, aparece o governador, após uma cirurgia para dizer que não pode assumir o controle e que a ação da Polícia Militar foi traiçoeira, pois sabiam de sua condição e esperaram ele deixar o Estado para iniciar o movimento. Mas ele também sabia que haveria um movimento, disse que o esperava para o Carnaval e nada fez para tentar evitá-lo. Não soube sua cúpula de Segurança avaliar os efeitos dessa omissão?
De quebra, o governador começou a procurar nos meios políticos os primeiros culpados pela crise e mirou na Assembleia, que ousou tentar desempenhar seu papel de mediadora entre o movimento e o Executivo, deixando de lado seu papel cartorial, como gosta o governador.
Depois, com as ações da sociedade civil e das entidades ligadas aos Direitos Humanos, os emissários de Hartung inventaram uma tal “mão peluda”, que seria a ingerência do PSol e parte do PT no processo, com o viés político, com o único objetivo de desgastar o modelo tão elogiado de gestão de Hartung. Também não colou.
Por último, os aliados de Hartung conseguiram ver na ligação de Carlos Manato, Capitão Assumção e do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) uma articulação maquiavélica de poder, por meio do militarismo. Parece uma tentativa desesperada para justificar as prisões dos militares e tentar mais uma vez desviar o foco do debate.
Todo mundo tem culpa, menos o ajuste fiscal do governador Paulo Hartung que não mediu as consequencias do arrocho salarial no funcionalismo público, incluindo a Polícia Militar. Até quando Hartung vai tentar transferir a responsabilidade sobre a crise da segurança do Espírito Santo?
Fragmentos:
1 – Se tem uma coisa que ficou clara nessa crise da segurança é a aproximação política cada vez maior entre o prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho (PSB), e a família Ferraço. Primeiro, ele veio à Capital ao lado do senador Ricardo Ferraço (PSDB) em busca de reforço no policiamento. Agora, participou da audiência sobre o tema proposta pelo deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM).
2 – O ministro da Saúde, Ricardo Barros, está no Estado para acompanhar a vacinação contra a Febre Amarela, em várias unidades de saúde da Grande Vitória, sempre acompanhado de um séquito de políticos do Estado, além dos prefeitos, que tentam mostrar serviço.
3 – Discretamente, como quem não quer nada, a senadora Rose de Freitas (PMDB) só tem fortalecido sua rede de prefeitos apoiadores, que poderão ser decisivos em 2018. Isso se não forem seduzidos pelo Palácio Anchieta até lá.

