Dólar Comercial: R$ 5,76 • Euro: R$ 6,79
Terça, 13 Abril 2021

A democracia por um fio

A semana do primeiro de abril, dia do golpe militar de 1964, começou tensa e assim prossegue sem que se saiba quais os desdobramentos, o que demonstra que a já fragilizada democracia brasileira está em perigo. A substituição do general Fernando Azevedo pelo também general Braga Neto no Ministério da Defesa e a demissão dos três comandantes das Forças Armadas, no entanto, trazem à tona que foi para o brejo o projeto do Jair Bolsonaro de enquadrar os governadores, assumindo maior porção de poder.

Essas articulações representam o ápice de uma crise que tem sua origem desde o início da gestão Bolsonaro, que também foi obrigado a se desfazer do chanceler Ernesto Araújo, figura abjeta e principal condutor da política externa para colocar o Brasil no rol das nações mais marginalizadas do planeta. Ele teve que aturar a nomeação de um novo ministro do Exército com pensamento contrário à sua visão de controle à pandemia da Covid-19, responsável pela tragédia que atinge o Brasil. O general Paulo Sérgio defende medidas opostas às do governo federal.

O ex-capitão Jair sai mais fraco e há quem estime que ele não conseguirá chegar até o final do mandato. Avizinha-se, como tudo parece indicar, mais um tombo na estrutura do comando da nação. O impeachment já começa a ser admitido nas altas rodas da direita neoliberal, com o apoio de integrantes da cúpula militar, que desembarcaram da aventura de isolar governadores contrários ao descompasso e da irresponsabilidade da gestão federal no combate da pandemia, que chegou a quase quatro mil mortes em apenas um dia, muito próxima de ficar fora de controle.

Um cenário de horror, mas incapaz de aplacar movimentos oposicionistas a governadores que seguem as recomendações médico-sanitárias de combater a doença. Isso ocorre em vários estados, inclusive no Espírito Santo, com os deputados Capitão Assumção (Patri) e Torino Marques (PSL) na linha de frente dos que incentivam aglomerações e defendem o tratamento precoce com medicamentos rejeitados pela ciência. Fazem parte do grupo, também, a deputada federal Soraya Manato e seu marido, o ex-deputado federal Carlos Manato, e o senador Marcos do Val (Podemos).

O golpe de 2016, resultante de um festival de mentiras digno de qualquer Primeiro de Abril, ainda hoje arraigado entre os brasileiros, retirou o Brasil do bloco das nações respeitadas e soberanas, transformando-a em exemplo de atraso e obscurantismo com a chegada ao poder de Jair Bolsonaro. Por meio dele ocorreu o crescimento de milícias e o estímulo à violência e à militarização da política, com representantes da área de segurança pública nas casas legislativas, levando o conceito autoritário do "nós contra eles".

No Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras de vereadores, o clima que despreza o diálogo, o debate e abomina o contraditório, de natureza fascista, está presente, numa representação de considerável parcela da sociedade alimentada pela manipulação da informação, a cargo da mídia convencional, mentirosa e comprometida com interesses do capital financeiro e a política neoliberal.

Um Bolsonaro enfraquecido ou até mesmo fora do governo não significa, no entanto, que o país reencontre de pronto o clima da democracia. A desinformação disseminada seguidamente pela mídia, por lideranças religiosas e políticas obscuras, que possibilitou a eleição de uma figura tão bizarra quanto o atual o presidente da República, ainda está ativa em grande parte da sociedade.

Basta olhar para a Assembleia Legislativa, a Câmara de Vitória, prefeitos e congressistas para ver que o fascismo está bem vivo, e, por isso, precisa se combatido. Nesse cenário, em que muitos pedem a intervenção das Forças Armadas, comemoram o regime de extermínio e debocham dos mortos da Covid, não tem como não lembrar a frase do deputado Ulissses Guimarães na proclamação da Constituinte de 1998, quando a ditadura militar foi sepultada. "Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações. Principalmente na América Latina". Que assim seja..

Veja mais notícias sobre Colunas.

Veja também:

 

Comentários: 5

Mário camillo em Sexta, 02 Abril 2021 16:02

Nunca vi tanto ódio em uma crônica , sem credibilidade !!

Nunca vi tanto ódio em uma crônica , sem credibilidade !!
CHRISTIANO em Domingo, 04 Abril 2021 22:52

A Constituinte foi promulgada em 1988, e nao 1998! TODO JORNALISTA, sem exceçao, deve pelo menos revisar o que escreveu, antes de publicar.

A Constituinte foi promulgada em 1988, e nao 1998! TODO JORNALISTA, sem exceçao, deve pelo menos revisar o que escreveu, antes de publicar.
Axolotl em Terça, 06 Abril 2021 11:26
Luiz Otávio Fernandes Soares em Quarta, 07 Abril 2021 11:20

Isso mesmo, tem que ser postado na rede social!!!!!???!!!!!

Isso mesmo, tem que ser postado na rede social!!!!!???!!!!!
Luiz em Quarta, 07 Abril 2021 11:23

Isso mesmo tem que ser postado na rede social!!!!!???

Isso mesmo tem que ser postado na rede social!!!!!???
Visitante
Terça, 13 Abril 2021

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/

No Internet Connection