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A equação que não fecha

O terceiro governo de Paulo Hartung (PMDB) já tem uma marca: a política austera de corte de gastos. Nessa busca obsessiva em reduzir gastos e reivindicar para a sua gestão o modelo de sucesso no enfrentamento da crise econômica, Hartung não poupa nem as áreas essenciais, como saúde, educação e segurança. 
Mas isso não é novidade. Logo da no começo do governo Hartung gerou um descontentamento geral na população quando mirou a guilhotina na área de segurança. O corte linear racionava o combustível das viaturas, tomava os celulares funcionais dos policiais e, consequentemente, reduzia o policiamento das ruas. 
À época, para apaziguar os ânimos da população que vive num dos estados mais violentos do País, o governo chamou o corte de ajuste e assegurou que o policiamento não seria prejudicado.  
Na saúde, não por acaso, Hartung nomeou um engenheiro para comandar a pasta. O governador não queria correr o risco de pôr um profissional da área da saúde, em tese, mais suscetível a “recaídas” humanitárias e menos refém das tabelas do Excel.
Na educação, que completa o tripé das áreas essenciais, não é diferente. Haroldo Rocha, economista de formação, antes de mais nada, é um soldado de Hartung. O lado educador do secretário, se é que um dia ele teve um, há muito está imune ao sonho de garantir uma educação de qualidade e para todos. Haroldo é cartesiano. Sua missão também é cortar gastos e montar uma dúzia de vitrines para dar visibilidade ao Escola Viva — programa que resume a proposta deste governo para a área de educação, que seria uma das prioridades de sua gestão.
Mas nem tudo são flores. O obstáculo para Haroldo, desde o começo de sua gestão, tem sido a comunidade escolar, que ainda não engoliu o Escola Viva e agora reage à tentativa do governo de fechar escolas. 
O processo de “reorganização” da rede estadual de educação já está em curso no Espírito Santo. Inspirado no modelo do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), o governo capixaba também já percebeu que cortar gastos na educação significa fazer uma boa economia.
A dificuldade do governador tucano é que essa conta não está fechando em São Paulo por causa dos protestos. Até essa segunda-feira (30) havia 174 escolas ocupados por alunos contrários à política educacional do governo pauista
Se o modelo de gestão paulista já chegou ao Espírito Santo a onda de protestos também. Nessa segunda-feira, cerca de 40 alunos interditaram a avenida Jerônimo Monteiro, na altura do Palácio Anchieta, região Central de Vitória. Os alunos protestavam contra o iminente fechamento da Escola Estadual Maria Erecina Santos, que fica no Centro de Vitória, no Parque Moscoso, no alto da Ladeira Santa Clara. 
A informação que corre na comunidade escolar é de que a Sedu pretende fechar a Maria Erecina e transferir os alunos para a Major Alfredo Pedro Rabaioli, que atualmente funciona improvisada nas instalações do Sambódromo. 
A política do governo do Estado de cortar gastos na educação também já contagia alguns prefeitos do interior, seduzidos em fazer caixa. Na semana passada foi a vez do prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione (PT), enfrentar protestos contra o fechamento de escolas. 
A guilhotina do petista foi impiedosa. Num único golpe Casteglione anunciou o fechamento de nove escolas. A medida revoltou pais, alunos e professores porque, assim como no Estado, o poder público municipal se recusa a debater a questão com a comunidade escolar. 
O prefeito de Cachoeiro, insensível aos protestos, está apenas preocupado com os números. Pretende economizar R$ 3,3 milhões por ano.
Cauteloso em função da experiência traumática na ocasião do lançamento do Escola Viva, o governo do Estado tenta pôr em prática o processo de fechamento das escolas silenciosamente para evitar uma onda de protestos. Estratégia que pode não dar certo. 
Os protestos em São Paulo; a polêmica do Escola Viva; o protagonismo do deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB), principal “fiscal” da política educacional do governo na Assembleia; e a mobilização da comunidade escolar no Estado são alguns dos obstáculos que o governo encontrará pela frente. 
A polêmica sobre o fechamento de escolas pode ensinar uma nova lição a Hartung e Haroldo. O quociente da equação menos escolas é igual a mais dinheiro em caixa pode não fechar no final das contas.

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