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A flor do jasmim adverte

Nunca vi planta mais pontual do que o jasmineiro.  Só dá fulô em novembro.

Mesmo com crise ambiental e mudanças climáticas, o arbusto de folhas brilhantes não nega flor no penúltimo mês do ano.

Andando pelas ruas do Brasil nesta época do ano, qualquer vivente sente no ar o perfume calmante. É quase como se a gente pudesse ouvi-lo dizer:

– Eu vim ao Brasil para dar flor em novembro e cumpro minha tarefa, mesmo que o inverno ainda esteja por aí liberando uns fragmentos de frio temperados por calorões, tornados e furacões.

Sim, tivemos um inverno de pouco frio, precedido de um verão terrível, com temperaturas tipo febre alta, acima de 42° C.

O clima está maluco e nos obriga a aprender a viver numa nova conjuntura meteorológica.

Ainda bem que os climatologistas nos previnem do que vai rolar com uma semana de antecedência. Mas a gente ainda não se adaptou aos novos tempos. Só depois das águas passadas é que raciocinamos, tiramos conclusões.

Este ano, por exemplo, as famosas enchentes de São Miguel (o dia desse santo é 29 de setembro) vieram com atraso de um mês, mas fizeram um estrago brutal no Rio Grande do Sul. Como se as águas vindas das nuvens quisessem dizer:

– Humanos, tomem cuidado, andem na linha.

Por causa dos calorões de agosto, as pitangueiras deram fruto em outubro, e também as amoreiras. Mas quem liga para esses sinais de distúrbios?

Por um detalhe ou outro que se manifesta em flores ou frutos extemporâneos, a natureza, em sua dimensão vegetal, dá sinais de desequilíbrio, mas a maioria das pessoas, mergulhada na batalha da sobrevivência, nem os percebe. Tampouco liga para o aviso dos jasmineiros nesse novembro marcado, entre nós brasileiros, pela tragédia do rompimento das represas de rejeitos da mineradora Samarco.

Na paz de suas pétalas brancas, a flor do jasmim parece nos dizer:

– Calma, pessoal, a chuva sempre foi um bem. Ainda é assim na maioria das vezes em que ela cai. Apenas uma ou outra chuva causam danos.  Apesar da desordem em algumas regiões, a Terra está viva.

Viva sim, mas ligeiramente adoentada por excessos cometidos pelo Homo sapiens.

LEMBRETE DE OCASIÃO

“Os homens são insetos a se entredevorar num átomo de lama” (Voltaire)

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