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A função do jornalismo social

Essa segunda-feira (13) foi um dia especial para o jornal Século Diário e seu diretor-responsável, Rogério Medeiros. Não deixa de ser desconfortável para este jornal falar de suas próprias conquistas. Mas, ao mesmo tempo, é importante registrar o que houve na Conferência dos Tupinikim, em Caieiras Velhas, Aracruz (norte do Estado).
 
Convidado para participar da conferência, Rogério Medeiros foi surpreendido quando soube que era um dos homenageados. As lideranças Tupinikim, diante de mais de 300 índios, reconheceram a importância do trabalho do jornalista na defesa da causa indígena, sobretudo no litígio com a Aracruz Celulose (hoje Fibria), que expropriou as terras dos índios durante a ditadura militar.
 
Á época, Medeiros, correspondente do Jornal do Brasil no Espírito Santo, registrava nas páginas do periódico carioca a verdade sobre o conflito entre os índios e a Aracruz Celulose. Fatos que eram comumente distorcidos pela chamada grande imprensa capixaba, que tratava os índios como um estorvo ao extrativismo predatório da empresa, que era interpretado como sinônimo de desenvolvimento e progresso para o Estado.
 
Após passar quase meio século escrevendo para as principais redações do País, Rogério Medeiros finalmente pôde se ocupar de seu projeto pessoal. Em março de 2000, “levava ao ar” o jornal eletrônico Século Diário, que já nascia com o compromisso de defender as causas dos segmentos que foram historicamente oprimidos neste Estado, especialmente os índios e quilombolas. 
 
Fazer jornalismo social sempre foi uma tarefa árdua, mas para Século Diário isso nunca foi uma questão de escolha, mas de vocação editorial do jornal. Quem decide fazer a defesa incondicional das minorias, sabe que percorrerá um caminho inóspito. As pautas, invariavelmente, incomodam os setores mais conservadores da sociedade, que geralmente têm interesses antagônicos às causas das minorias.
 
Ao longo destes 15 anos, Século Diário foi assediado pelos grupos empresariais, inicialmente com ofertas publicitárias sedutoras. Como não conseguiram cooptar o jornal pelo bolso, recorreram à Justiça para tentar nos calar na marra. 
 
A homenagem de ontem (13) não tem preço. Confirma que todo esse esforço vale a pena. A homenagem espontânea dos índios é um desses momentos inesquecíveis na vida do jornalista. Rogério Medeiros admitiu que a sensação foi muito boa, emocionante. Um reconhecimento que tem um valor muito especial para o jornal e nos motiva a não abandonar nossa vocação de fazer jornalismo social.

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