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A inércia do PSB

A reunião desta quarta-feira (29) da CPI dos Empenhos foi cancelada por falta de quórum. As prometidas “denúncias” de Gildevan Fernandes (PMDB), que devem consumar o alijamento do ex-governador Renato Casagrande (PSB), ficaram para a próxima semana. O líder do governo, agora soberano na CPI, com os deputados do PSB de fora e também com a saída do relator, Euclério Sampaio (PDT), está à vontade para fazer as manobras que bem entender. Tudo em conformidade com o planejamento do governador Paulo Hartung (PMDB), que usa a CPI pata tirar Casagrande do seu caminho.
 
Essas tentativas continuam a ocorrer sem que um único deputado estadual, sobretudo os do PSB, estrile. Quando Freitas e Bruno lamas decidem se pronunciar é sempre defensivamente, tomando todos os cuidados para não esbarrar naquele que é o verdadeiro idealizador da trama. Os dois socialistas estão mais para base do governador na Assembleia do que defensores do legado do ex-governador.
 
Expressando alta negligência numa disputa de poder francamente favorável ao seu próprio partido. O deputado Freitas desfrutou desse poder quando Casagrande estava no governo. Foi uma espécie de donatário do norte do Estado. O então governador não dava um passo na região sem que ele autorizasse.
 
Não poderia dizer o mesmo do deputado Bruno Lamas. Pois no tempo de Lamas a Serra tinha, no prefeito Audifax, a figura mais forte do PSB estadual depois de Renato Casagrande. Mesmo ofuscado na sua base, ele comporta-se como o seu colega de bancada: um deputado que procura manter-se neutro nesse embate entre Casagrande e PH. Promove, junto com Freitas, um desserviço ao seu partido com extensão ao própria alcance à democracia do Espírito Santo.  
 
Enquanto os deputados do PSB seguem na inércia, a CPI está prestes a incluir Casagrande no voto em separado de Gildevan. Mais à frente, no julgamento das contas de Casagrande pela Assembleia, é que Hartung vai saber se toda essa manobra armada na CPI funcionou.
 
A votação que decidiu se a CPI deveria ser encerrada, validando o relatório de Euclério, ou prorrogada, anulando a reunião que aprovou o relatório do pedetista, teve um placar apertadíssimo: 13 (Hartung) X 12 (Casagrande). 
 
Essa talvez seja a maior esperança do ex-governador. Ele precisa consolidar os 12 votos e conseguir mais alguns de segurança para a aprovação das suas contas. 
 
Parafraseando Mário Sérgio Conti, da Folha de São Paulo, o Espírito Santo, nesse contexto atual, passa por um quadro de mal-estar com a democracia. 
 
Falei acima da negligência dos deputados do PSB, entretanto, não posso deixar de fora a passividade o partido do ex-governador que tem na sua presidência um experiente deputado federal, que é Paulo Folleto. Ele até hoje não fez nenhuma manifestação em favor do principal líder do seu partido, o ex-governador Casagrande. Embora esse seja um caso que atente contra as liberdades políticas. 
 
Sem reação política de seus “aliados”, Renato Casagrande corre o risco de virar comida de onça. 

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