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A lista de PH

Depois de declarações do governador Paulo Hartung, definindo o seu campo de atuação nas eleições de 2018, o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, primeiro, num relampejo de entrevista ao jornal A Gazeta, complementada por outra cheia de labaredas a Século Diário, revelou suas pretensões políticas. Ele afirmou abertamente que pretende se incluir na lista de candidatos à sucessão do governador, sacudindo com antecedência o tabuleiro eleitoral de PH.
 
Como o próprio governador havia suscitado quatro nomes (chegou a falar também em seis) sem, contudo, incluí-lo na lista, Octaciano abriu que também está trabalhando para se credenciar à tal lista, o que o colocaria ao lado de lideranças como o vice-governador César Colnago e o senador Ricardo Ferraço (ambos do PSDB), virtuais nomes na fila da sucessão do governador.
 
Octaciano justificou essa sua condição de postulante por haver cumprindo com louvor o dever de casa passado pelo  governador nas eleições municipais deste ano. A estratégia eleitoral traçada pelo chefe como conquista de forças para serem empregadas em 2018, quando estarão em disputa o governo do Estado, o Senado e os legislativos estadual e federal, parece ter sido bem cumprida por Octaciano
 
O secretário de Agricultura também avaliou que alcançou nas eleições deste ano o melhor resultado possível, garantindo presença em 53 dos 78 municípios capixabas. Ele foi de Amaro Neto (candidato a prefeito de Vitória) a Dianiel da Açai (prefeito eleito de São Mateus), passando pelos palanques de Sérgio Vidigal (Serra) e Neucimar Fraga (Vila Velha).
 
Na leitura de Octaciano, a estratégia foi uma readequação do governador à nova realidade política do Estado, que apresentou problemas políticos de ordem regional, além das mudanças nas  regras eleitorais.
 
Não é mais como anteriormente, em que o obstáculo para assegurar o seu poder político no Estado encontrava-se exclusivamente em Renato Casagrande (PSB). É outro com os seus derivados para chegar ao próprio tamanho em que realmente ficou no Estado. Exigindo de PH que ele estabelecesse para si uma mudança de rumo. Não mais uma reeleição ao governo, mas um voo para fora do Estado, aproveitando-se do ensejo de haver sido considerado um dos poucos governadores que não quebrou o caixa dos estados, apertando o cinto na despesas até os últimos furos na hora certa. 
 
Se tal arrocho ocorreu como foi vendido para fora, tenho lá minhas dúvidas. Mas a realidade é que o compraram a receita anti-crise de Hartung Brasil afora como produto de primeira grandeza.
 
Como não vieram ao Espírito Santo verificar o “milagre” in loco, PH virou, de um dia para outro, o grande guru domador de crise, fazendo palestras e ensinando seus fundamentos para os colegas governadores. O fato plantado permitiu que ele passasse a ser ser visto como potencial nome para disputar a presidência da República em 2018, mesmo que na condição de vice. Só que por aqui a realidade é outra, a batata de PH está assando. Os movimentos sociais estão possessos com os congelamentos salariais entre outros cortes, diferente do que é visto fora daqui.
 
Hartung tornou-se uma figura nacional, obrigou-se por aqui, porém, a trocar um perigosa reeleição para o governo pelo Senado, podendo até recorrer à Câmara dos Deputados, se o novo arranjo eleitoral não render o esperado.
 
A lealdade de Octaciano ao governador Paulo Hartung está dentro dessa nova realidade política de que ele dependerá para reorganizar o campo político para garantir seu “passaporte” para Brasília. 
 
Na disputa para o governo nessa nova contingência, na comparação com o virtual candidato ao governo em 2018, Renato Casagrande (PSB), há quem veja risco maior no caso a senadora Rose de Freitas (PMDB) se habilitar. O mercado considera a senadora imprevisível numa disputa eleitoral. Pois ganhou o Senado em plena efervescência da era PH.
 
Ainda mais numa situação de baixa local do governador Paulo Hartung, que não tem mais nas mãos os melhores instrumentos que mantinham o tabuleiro eleitoral sob seu controle absoluto. Não dá mais, por exemplo, para contar com o apoio das grandes transnacionais (Vale, AcelorMittal e Aracruz-Fibria) como principais financiadoras de campanha.
 
A nova regra eleitoral, a Lava Jato e outras operações estão pondo um ponto final nesse modelo. O arranjo ficou muito mais vulnerável também quando a fonte secou, mas o estrago já está feito. Não podemos deixar de registrar na conta de PH (na de Casagrande também) a enxurrada de dinheiro despejada no Judiciário e Ministério Público, que praticamente quadruplicaram de 2003 para cá. Muita gente evita tocar no incômodo assunto que mexe com muitos interesses, mas PH, para atender a ganância insaciável das duas instituições, esvaziou os cofres do Estado. A conta está chegando agora.

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