As famílias brasileiras estão cada vez mais endividadas. No mês de maio, a PEIC – Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (CNC) confirmou aumento no percentual de famílias brasileiras endividadas, que alcançou 62,4%, representando o quarto mês consecutivo de alta em 2015, além de registrar aumento no percentual de famílias com dívidas e/ou contas em atraso, que saltou de 19,7%, em abril para 21,1% em maio. Fato também relevante é o aumento registrado em abril na devolução de cheques por falta de fundos.
As expectativas para este ano não são animadoras. Estamos colhendo os resultados de uma conta desleal que inclui uma década de estimulo ao consumo, condicionado ao crescimento do país, à crise socioeconômica e política instalada, com a influência do poder negativo da inflação corroendo a renda, a redução de acesso ao crédito, que até então estava facilitado.
As famílias foram estimuladas a se endividar consumindo, tanto no cartão de crédito, como através de carnês e empréstimos facilitados e agora o acesso ao crédito está mais criterioso, as opções para a renegociação de dívidas estão mais dificultadas, o que acaba levando as famílias a uma percepção menos otimista em relação ao seu endividamento e a capacidade de administrarem e de sanarem a situação.
Esse cenário tem tirado o sono de muitas famílias, elevando o nível de estresse, provocado pelo medo da perda do emprego, pela pressão e tensão contínuas, desencadeando transtornos ansiosos ou depressivos, além de conflitos familiares. Muito em função das dúvidas de como dar conta de algo que não está ao seu alcance, como o risco do desemprego, podendo vislumbrar melhoria apenas para o próximo ano? Como manter o controle e a calma perante a família?
Vivemos um efeito dominó, se o consumo cai, a margem de lucro também, a fim de manter os clientes, que estão fugindo do consumo supérfluo para direcionar ao necessário. Se o mercado perde, pressiona os funcionários a produzirem o máximo, mas se mesmo assim não consegue êxito, culmina em demissões. Nesse caso, quem está no mercado tende a enfrentar aumento da pressão por resultados/cumprimento de metas e, quem está desempregado, vive o estresse pela falta de recursos para prover o necessário.
Tanto os empregados, como os desempregados e suas respectivas famílias estão sob a influência do cenário nacional e, cientes disso, buscam alternativas para driblarem os efeitos provocados pelas incertezas. Às vezes, apelam para o “anestésico” lícito ou ilícito, usando medicamentos – ansiolíticos/ tranquilizantes e outros.
Precisamos ter a clareza de que em tempos de crise econômica aumenta a tendência de busca por recursos que levem a fuga da realidade. Cada indivíduo reage de uma maneira, há os que fogem dormindo excessivamente, há os que aumentam o consumo de álcool e outras drogas, procurando amenizar o pensamento fixo no problema que levam ao aumento da ansiedade e outros.
Não dá para “tapar o sol com a peneira”, pois não há expectativa de reversão no cenário nacional a curto prazo. Especialista apontam que a longa exposição a medicamentos como ansiolíticos/tranquilizantes representa uma “faca de dois gumes”, pois conserta de um lado e estraga do outro, pela probabilidade de causar dependência e de comprometer a memória.
De fato, os efeitos dessas drogas não substituem a realidade; logo, o enfrentamento é o ideal, sendo construído no seio da família, com diálogo, avaliação, planejamento, organização e ação conjunta e, de preferência, “de cara limpa”, mas se for preciso, um médico deve ser consultado para avaliar o caso, e juntos, definirem se há ou não necessidade da introdução de medicamento, visando restabelecer a boa qualidade do sono e a estabilizar o humor, por exemplo.
Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br
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