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A muralha do caixa 2

O depoimento escrito para o juiz Sergio Moro pelo jornalista baiano João Santana, que há 20 anos trocou o jornalismo pela marquetagem eleitoral,  pondo-se a serviço de Lula, Dilma e outros candidatos, diz que o caixa dois é o principal centro de gravidade da política brasileira. Que 98% das campanhas eleitorais brasileiras dependem de dinheiro do caixa dois. Que milhões de brasileiros já receberam desse caixa clandestino incontáveis pagamentos por prestação de serviços. E acrescentou uma poderosa metáfora: se fossem colocados em fila todos os remunerados por caixa dois, daria uma coisa equivalente à muralha da China.
 
O depoimento foi publicado pela repórter Monica Bergamo, descendente de uma longa linhagem de pessoas fieis ao espírito público que deveria reinar na imprensa. Uma espécie em extinção, mas isso não vem ao caso.
 
Em seu texto, pouco menos de duas laudas do jornalismo pré-internet, Santana afirma não entender porque é o único brasileiro preso no momento por admitir o caixa dois na política, se todo mundo sabe que essa modalidade de operação financeira está disseminada por toda sociedade brasileira. 

 

Em casa o dinheiro está debaixo do colchão, nas empresas está guardado em cofres e em muitos outros casos está na mão de cunhados, laranjas e em paraísos fiscais próximos ou distantes. Na política, então, nem se fala. Sendo assim, argumenta Santana, pondo o dedo na ferida, conclui-se que o objetivo da Operação Lava Jato não é o caixa dois.

 

O caixa dois, digo eu, é um pretexto para pegar quem, aos olhos “deles”, não merece estar no comando político do país. Quem são “eles”?

 

Santana, que não é bobo, mas está ferido porque perdeu seu espinhoso e fascinante ganhão-pão, insinua que há uma conspiração em marcha por algo maior do que a instituição do caixa dois.  

 

Ele não disse, mas deixou no ar a suspeita de que se trata de um big golpe urdido por um conluio de usuários do caixa dois descontentes com os rumos do país nos últimos anos.  

 

Não é mera coincidência o fato de que no epicentro dessa história esteja a Petrobras, a maior empresa brasileira, no momento encolhida, vendendo ativos dentro e fora do país, e até debaixo d’água.

 

LEMBRETE DE OCASIÃO
“É preciso estar atento e forte/não temos tempo de temer a morte”
Caetano Velloso  em  1969

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