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A ver navios

O conturbado período político em que passa o País coloca em xeque a ação do movimento sindical na construção de uma política voltada para a valorização do trabalhador e pela consolidação da democracia. Talvez por isso, o papel do movimento nas eleições deste ano esteja tão fora de eixo. Vide o que está acontecendo na Grande Vitória. 
 
Na Serra, uma parte do movimento se aproxima de uma articulação em favor da candidatura de Sérgio Vidigal (PDT) e outro bloco se volta para a reeleição de Audifax Barcelos (Rede). Além de reforçar o apoio a uma disputa radicalizada de poder que divide o município a quase um quarto de século, vira as costas para a construção de uma candidatura própria, com o viés social e democrático.
 
Em Vila Velha, o movimento que na eleição passada apoiou a direita, com a candidatura de Rodney Miranda (DEM), agora se volta para Neucimar Fraga (PR), que em um passado não muito distante se colocou contra o movimento. 
 
Cariacica sempre teve um forte caminho sindical, com muitas lideranças povoando o caminho político e social do município. Mas com a saída do ex-prefeito Helder Salomão (PT) da disputa, o movimento ficou sem rumo. Sem rumo também está o movimento em Vitória, cidade administrada três vezes pelo partido dos trabalhadores e que agora não consegue uma articulação forte para se colocar na disputa deste ano. 
 
A situação na Grande Vitória não é diferente do que acontece no restante do paris e nem no Brasil como um todo. Culpa do próprio movimento sindical que depois de tanta luta para alcançar um lugar de destaque na política nacional, relaxou. 
 
Após a chegada do PT à Presidência da República, a luta sofreu uma séria paralisação em suas ações, sem buscar o avanço das plataformas definidas pelos trabalhadores. 
 
Boa parte dos sindicatos mergulhou em uma constante luta pela perpetuação no poder, guindando-se muitas vezes ao patronato para manter o comando das categorias, afastando-se da luta de classes. Sem o investimento em formação política, o movimento não só ficou sem condições de buscar espaço na política institucional, como de garantir as conquistas por meio da conscientização do eleitor-trabalhador.
 
Com isso, viu-se um acelerado domínio da direita e o movimento não teve condições sequer defender a presidente Dilma pelo que fez de certo. O movimento ficou vendo a banda passar e foi atropelado pelo trem da história. Agora fica na praça, dando milho aos pombos. 
 
A vaca foi pro brejo!

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