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A volta da escravidão

Na semana passada, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, criou muita polêmica ao defender 80 horas de jornada de trabalho. Ele falou e o movimento sindical ficou quieto, quando respondeu, a notícia já tinha se espalhado e a reação já havia acontecido pelas redes sociais. 
 
A sociedade se encarregou de fazer o papel que deveria ser do sindicato, de reagir na hora certa. Mas não é só a sociedade que está se apropriando das prerrogativas do sindicato. Na verdade, o presidente da CNI, também usa uma estratégia muito conhecida no meio sindical. 
 
Até ele sabe da inviabilidade de sua proposta de 80 horas de trabalho semanal. Depois da primeira reação, apareceu para dizer que não era bem assim, que foi mal compreendido, e que na verdade tinha falado em 60 horas. O que também está muito distante da realidade. 
 
O objetivo da confederação é conseguir o aumento das atuais 44 para 48 horas, semanais, sem reajuste qualquer. Assim como o sindicato faz em suas convenções coletivas, pede muito para tentar conseguir o mínimo. Esse filme é conhecido. 
 
O sindicato, porém, não pode abrir mão de sua proposta de redução da carga de trabalho de 44 para 36 horas. Esse sim, já existente na Europa. Com a crise econômica e a alta do desemprego, a redução da carga horária, permitiria a abertura de novas vagas. Isso aumenta a produção, como quer o empresariado e diminui o desemprego. 
 
Tirando esse dado real, o que se apresenta além é o retorno a um momento histórico que não se deveria sequer cogitar. Com 80 horas de trabalho, estamos falando em escravidão. O sr. Robson Braga Andrade, esquece-se que os trabalhadores não são robôs, não são máquinas. São seres humanos que também tem casa, família, vida pessoal. 
 
E também deveria saber que essas pessoas têm cérebro, sabem muito bem que estão sendo enganadas. E que ninguém vai pagar o pato pela necessidade desenfreada do Capital e obter lucro. 
 
Se liga, patrão!

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