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Abismo tecnológico

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não precisou de mais de 3 horas e 30 minutos para apurar pouco mais de 112 milhões de votos e anunciar o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2014. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-ES), na contramão da eficiência tecnológica, porque adota um obsoleto sistema de voto em lista e apuração manual, até agora – seis dias após o encerramento do processo eleitoral para escolher seu novo presidente –  permanece silencioso sobre o resultado, apesar de seu universo de eleitores não ter chegado a 2.500. 
 
É óbvio que o abismo que separa o TSE da Comissão Eleitoral Regional do Crea, presidida por João Bosco Anício, tem variadas explicações. Uma delas foram os recursos apresentados por candidatos defendendo a anulação das eleições sob alegação de fraudes em urnas e manipulação de listas de eleitores para impedir que mais de 600 associados votassem, o que acabou transformando-as numa ópera bufa sob a direção do atual presidente do Conselho no Estado, Helder Carnielli. 
 
Pior: converteu as eleições locais na mais escandalosa de  todas as que foram realizadas pelo Crea, pelo volume de denúncias de fraudes e pelo número (cinco, ao todo) de solicitações de anulação da votação à Comissão Eleitoral do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). 
 
Aliás, se há alguém a quem os candidatos responsabilizam pelo desastre ético que foram essas eleições, Carnielli, sem dúvida, aparece em primeiro lugar.
 
Antes mesmo do início da campanha, ele meteu os pés pelas mãos fazendo uma reunião para ungir como candidato oficial o engenheiro agrônomo Geraldo Ferreguetti. Seu erro – aliás, primário – foi levar para essa reunião, de modo a assegurar um triunfo acachapante, funcionários da entidade para referendar sua escolha pessoal. Denunciado, acabou assistindo à impugnação da candidatura de Ferreguetti pela Comissão Eleitoral Federal. 
 
Ao mesmo tempo em que surgiam mais seis candidatos na disputa, quase todos de oposição, Ferreguetti buscava sobreviver recorrendo da decisão. Fracassou duas vezes: na Comissão Federal e na plenária do Confea, uma espécie de STF dos Creas.
 
Judicializou então a campanha, apelando à Justiça Federal, em Brasília, para garantir a permanência no pleito, conseguindo uma liminar parcial nesse sentido ficando o mérito da ação para ser analisado posteriormente. Ou seja, uma candidatura sub judice, questionada do ponto de vista moral e, além do mais, acusada ostensivamente de receber favores da máquina administrativa e  que parecia estar mais a serviço das ambições de Carnielli  do que dos legítimos  interesses da vasta comunidade de associados do Crea-ES.
 
Qualquer que seja a decisão da Comissão Federal nos próximos dias, acolhendo os pedidos de impugnação das eleições ou homologando o resultado (até agora desconhecido) apurado pela Comissão Eleitoral Regional, uma coisa é certa: o Crea-ES, certamente traumatizado, precisa adotar um sistema eleitoral mais avançado e imune a fraudes. Mas, sobretudo, necessita respeitar seus mais de 45 mil associados, entre engenheiros e tecnólogos, agindo com transparência e dignidade.

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