Em função do cenário atual, influenciado pelo avanço nos reflexos da crise econômica, está se tornando cada dia mais comum ouvirmos relatos de pessoas e famílias próximas que estão em situação de dificuldade financeira. A partir disso, há uma tendência de crescimento de pedidos de ajuda financeira.
Essas são situações envoltas de emoção e, geralmente pelas circunstâncias, ficam distanciadas da razão, impondo assim risco aos atores envolvidos, que não os mensuram nem antes e nem durante o período do auxílio prestado.
Vale lembrar que o brasileiro é conhecido como um povo solidário, imbuído de boa vontade e, diante da dor e necessidade referidos, seja por um parente, um amigo ou um colega próximo, é capaz de dividir os seus recursos próprios, emprestar o seu nome e até emprestar o que não tem para ajudar.
Quanto à prática de emprestar a outro(s) o(s) seu(s) recurso(s) próprio(s), seja sua receita ou reserva, vale destacar que, se não for fazer falta, é uma estratégia saudável, desde que não imponha riscos, afinal, como diz o ditado: “uma mão lava a outra”, ficando assim a oportunidade de retribuição, caso necessite, porque o mundo dá voltas mesmo.
A prática de emprestar o nome ou o cartão de crédito a terceiros, tanto para saldarem dívidas ou para comprarem produtos é mais comum do que deveria e/ou poderia ser. Vale citar que, segundo estudos, em 2015, dentre o total de inadimplentes no Brasil (57 milhões), 30% foram negativados por emprestarem o nome ou o cartão de crédito a terceiros, a familiares e a amigos.
Não é a regra, mas geralmente, quando alguém pede ajuda é porque precisa, mas é imprescindível que primeiro seja avaliado se o momento está oportuno para prestar o auxílio, porque pode não haver condição, e segundo, porque mesmo sabendo que há a intenção de pagar, temos que reconhecer que imprevistos acontecem, que o cenário não é promissor, podendo assim ficar com quem empresta o saldo da dívida contraída a partir da emoção.
Aos que estão com a situação financeira em ordem, são previdentes e precavidos, essa fase de crise econômica, com o aumento crescente no desemprego, requer maior atenção, porque na crise, há também uma tendência de crescimento nos pedidos de ajuda financeira, proporcional à queda nas oportunidades.
Toda prudência e razão são bem vindas em situações de socorro aos que estão em situação de dificuldade financeira e demandam auxílio de terceiros.
Para efetuar um salvamento, precisa haver muita habilidade e conhecimento de causa, para que o “salva-vidas” não acabe também se afogando.
Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br
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