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Abrindo o cofre

Quando assumiram as prefeituras em 2013, a maioria dos prefeitos do Estado adotou uma choradeira que transpassou todos os anos de suas gestões. Mas 2016, o ano eleitoral, em que boa parte vai disputar a reeleição, vai mostrar quem realmente está na pindaíba e onde a crise foi “seletiva”. 
 
Primeiro foi a diminuição do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), que realmente trouxe uma queda substancial de receita dos municípios; depois foi a crise mundial que tirou os recursos das prefeitura; e por fim, a negativa de ajuda do governador Paulo Hartung (PMDB), com o corte do Fundo Cidades. 
 
Muitas prefeituras, com baixa arrecadação e população inferior a 20 mil habitantes, estão com dificuldade em fechar seus balanços. Algumas cidades-polo têm baixa arrecadação e muita demanda, o que coloca os prefeitos ainda mais próximos do teto da Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas tem gente que na verdade cortou aqui para sobrar ali. 
 
O “ali”, no caso, é a área de publicidade, para acalmar o ânimo de parte da imprensa, para fazer vista grossa aos problemas apontados pela população, e fazer a promoção de sua gestão. Tudo isso para construir uma imagem que chegue bem sustentada ao processo eleitoral do ano que vem.
 
Mas isso não vai ficar escondido em 2016. No ano eleitoral, quem passou três anos de pires na mão, cortando benefício dos servidores, cortando gasto até com cafezinho, vai aparecer entregando obra, inaugurando serviço, fazendo festa para aparecer bem na foto. Resta saber se isso vai colar. 
 
Os prefeitos que venceram a eleição, embalados pela insatisfação do eleitorado com a política tradicional e apostando em novidades, não estão estão agradando o eleitorado. Insatisfeitos, passam a cobrar a entrada de ex-prefeitos na disputa. O eleitor de 2016, que apostou na mudança em 2012, se arrependeu e agora tende a votar com nostalgia. 
 
Neste sentido, ter a máquina na mão e entregar tudo que a população pediu durante três anos, justamente no ano eleitoral, pode acabar tendo efeito reverso. Em vez de fixar as benfeitorias na memória do eleitorado, a estratégia pode colar no gestor o rótulo de oportunista. Até porque o discurso de quebradeira foi muito forte nos últimos anos. O leitor irá perguntar: “De onde saiu o dinheiro para entregar obras?”.
 
O governo do Estado não é diferente. Vem pregando um discurso de descontrole do Estado pelo antecessor e fazendo cortes nos gastos bem profundos, para fazer caixa e poder apresentar ao fim do ano e, posteriormente, do mandato em 2018, sua grande capacidade de recuperação das finanças do Estado. Na verdade, é apenas uma estratégia de cortes seletivos, aplicando os recursos em projetos de visibilidade, que possam trazer resposta política no futuro. Até que ponto isso é eficaz, as urnas é que vão dizer mais tarde. 
 
Fragmentos:
 
1 – Depois de declarar apoio ao estatuto do desarmamento, o senador Magno Malta (PR) tem sido vítima de ataques de seus eleitores reacionários. Vem sendo chamado de “socialista enrustido”. Credo!
 
2 – O PSDB acha que o único problema que tem na disputa do próximo ano é Cariacica. Mas o partido terá dificuldades em disputar as eleições em vários municípios. Mas seu grande problema é esse clima de já ganhou. Perigosíssimo. 
 
3 – A eleição do próximo ano pode ter sete dos 10 deputados federais envolvidos diretamente na disputa. Só falta convencê-lo a trocar o certo do mandato na Câmara dos Deputados pelo duvidoso das prefeituras endividadas. 

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