Na semana passada, a coluna destacou como, no Espírito Santo, o capital tomou conta da movimentação política, aprovando uma aberração relativa às renúncias fiscais. Isso mostra a importância da reação do movimento sindical no campo político, para evitar que o movimento contrário tome conta.
Mais do que centralizar as lutas pelos direitos dos trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) foi criada justamente para formar essa força de contenção do avanço do capitalismo, que esmaga a classe trabalhadora.
É verdade que após o golpe de 2016, muitas lideranças da classe trabalhadora se sentiram enfraquecidas em disputar uma eleição, o que resultou em um desempenho ruim do Partido dos Trabalhadores na eleição.
Mas as sucessivas trapalhadas do governo golpista, mostra que o caminho trilhado pela esquerda não está acabado com o eleitorado. Muito pelo contrário, abre um espaço para a reestruturação das lideranças trabalhistas.
Aí é que o movimento sindical ganha importância. A militância deve trabalhar muito em 2017 para se reerguer, não só em apresentar suas lideranças para a disputa em 2018, como também na formação do eleitor.
Tão importante quanto disputar e brigar dentro do Parlamento pelas leis que protejam o trabalhador é ensinar a população a votar, esclarecer que a principal prejudicada pela escolha de lideranças que não tem compromisso com a sociedade é ela mesma.
Mais do que nunca o movimento sindical precisa retornar às bases, às associações de bairro, às igrejas, às escolas, para que a população possas ser esclarecida sobre o projeto da elite. A ideia é cada vez mais sufocar a classe trabalhadora para impor a regra do mercado, na qual só quem ganha é o mercado.
Está cada vez mais claro que o sistema eleitoral brasileiro enfraquece o Executivo e coloca plenos poderes na mão do Parlamento. O avanço conservacionista tanto no Congresso, quanto nos legislativos estaduais e municipais. Se a esquerda se calar tudo será perdido. A falta de compromisso social do governo golpista traz à esquerda o argumento necessário para se reestruturar e buscar retomar o espaço que lhe foi tomado.
Avante esquerda!

