A posse do novo governador do Estado, Paulo Hartung (PMDB), só acontecerá em 1 de janeiro, mas algumas “coincidências” têm trazido preocupação a quem observa com mais atenção as movimentações políticas. Além das visitas às instituições que foram parceiras em seus governos passados, o governador eleito tem dado ordens em algumas delas, como aconteceu na Assembleia. E o pior, a Assembleia obedeceu e barrou os projetos que poderiam vir a trazer gastos ao futuro governo.
Outras situações também chamam a atenção. O ex-governador nunca foi simpático ao Aquaviário. E não é que foi só ele vencer a eleição, que apareceu um probleminha na licitação? Pode ser que seja coincidência, mas que chama a atenção dos meios políticos, chama.
O Aquaviário é uma antiga reivindicação da população. A expectativa é de que se houve problema na licitação, que ela seja corrigida e o projeto tocado. Se for engavetado, a coisa vai ficar feia. Não faz o menor sentido não atender a essa reivindicação. Chega a ser vergonhoso uma cidade litorânea não utilizar o recurso do mar como transporte. Ainda mais no caos que se tornou o trânsito na Grande Vitória.
Também causou espanto a impressão sobre a questão da Terceira Ponte. Durante a campanha, Hartung dizia que o pedágio era uma página virada no Estado, mas assim que terminou a eleição, o discurso mudou. Disse que vai respeitar a decisão da Justiça e do Tribuna de Contas, que realiza auditoria. Fica a curiosidade de saber como vai agir o deputado Euclério Sampaio (PDT), que se reelegeu com a bandeira do “Pedágio Zero”, se o governo que ele apoiou retomar a cobrança do pedágio.
O governador eleito fala ainda em atrair mais “Jurongs” para o Estado, mostrando que não se preocupa nada com o impacto dos grandes empreendimentos nas comunidades tradicionais, muito menos com o problema ambiental. Empresas que levam muito do Estado e deixam quase nada, gerando minguados empregos.
Na área social, as propostas são tão abstratas que não dá para saber o que pretende o governo. Não se fala em Plano de Segurança, não se vê pressa em aprovar um projeto que coloque nas polícias pessoas com nível superior de ensino, e se fala em ocupação social, com a construção de um projeto de cultura elitista, que em nada se aproxima da realidade da juventude negra do Espírito Santo.
Enfim, a agenda para os quatro próximos anos é preocupante, parece muito com o que foram os oito anos de Hartung. Não que os quatro de Renato Casagrande tenham sido um exemplo de excelência, mas o que se vê não é avanço. E sim um governo projetado para poucos.

