Às vésperas do Carnaval, o anúncio do corte de 20% dos gastos com a Segurança, que tirariam de circulação viaturas para economizar gasolina, trouxe um desgaste político forte para o Palácio Anchieta. Passada a folia, o golpe agora é na saúde.
O jornal A Gazeta desta quinta-feira (19) traz na capa a possibilidade de o Estado perder ambulâncias do Samu por falta de recursos para colocá-las em circulação. O desgaste será inevitável e mostra, mais uma vez, que para se fazer cortes de gastos é preciso critério, senão o risco de afetar o interesse público é grande.
A situação não é exatamente agora. As ambulâncias estão paradas há dez meses, ou seja, culpa compartilhada com o ex-governador Renato Casagrande, que poderia ter resolvido o problema, mas deixou para o sucessor, que também não resolveu até agora.
Segurança, Saúde, Educação, Transporte são obrigações do Estado e devem estar no topo da lista de prioridades de qualquer gestor. O governador que fechar os olhos para as necessidades urgentes da população, com o discurso de reunir recursos em caixa para retomar a capacidacde de crescimento e investimento do Estado está correndo risco. Aliás, essa seria uma excelente forma de superar seu antecessor, resolvendo o problema herdado.
Mas Hartung não gosta de gerar gastos permanentes, não gosta de ter de fazer concurso, de melhorar serviços e aparelhos públicos. Sua política é a de mostrar uma capacidade de gerir recursos e manter a economia em dia. Mas a custo de quê? De uma violência galopante como ocorreu em seu governo? Com a falta de atendimento nos hospitais e mortes por falta de atendimento do Samu, como aconteceram em seus oito anos de governo?
Aos poucos o discurso de um governo voltado para o povo capixaba se esvazia, com a justificativa de que não há recursos em caixa. Pode até não ter, mas cortar o que não pode para reequilibrar o caixa é uma opção viável? Até quando a população vai engolir essa desculpa não se sabe, mas a experiência com os prefeitos eleitos em 2012 mostrou que esse tempo de tolerância foi bem curto.
Na tarde desta quinta-feira, o ex-governador Renato Casagrande, pelas redes sociais afirmou que as ambulâncias fariam parte doprojeto de expansão do Samu, que beneficiaria mais de 200 mil capixabas no interior, em parceria com os municípios e com o Ministério da Saúde.
Disse também que deixou tudo pronto para implantação do serviço em Domingos Martins. Mas o atual governo cancelou as próximas etapas e, assim, o município vai continuar dependendo do atendimento que vem de Marechal Floriano, Viana e Cariacica.
Fragmentos:
1 – Aos poucos, o governador Paulo Hartung está abandonando o perfil “povão” que tentou emplacar na campanha eleitoral. Na verdade não combina com ele.
2 – A classe política manteve distância segura da folia. Período de entressafra eleitoral ou medo da cobrança das promessas da eleição passada?
3 – Muita gente diz que o ano só começa depois do Carnaval, mas no cenário político capixaba, as movimentações até aqui foram intensas e devem esquentar ainda mais a partir da próxima semana.

