O presidente da Assembleia Legislativa Theodorico Ferraço (DEM) parece ter sido picado pelo mesmo mosquito que picou o ex-governador Renato Casagrande (PSB). Ambos escolheram se alinhar ao governador Paulo Hartung (PMDB) e depois de serem preteridos, saem atirando, lamentando o que deveriam ter feito e não fizeram por causa do acordo de cumplicidade.
Depois de dois anos em total harmonia com o Palácio Anchieta, dizendo sim para todos os desejos do governador Paulo Hartung, o demista vem dizer que a Assembleia não foi independente e assume uma mea-culpa sobre o não aprofundamento dos debates sobre os temas enviados para aprovação.
Com Renato Casagrande a situação foi parecida. Durante seus quatro anos de governo, o socialista trabalhou com os aliados de Paulo Hartung dentro de seu próprio gabinete. No acordo, Casagrande faria um governo de continuidade, sem abrir nenhuma “caixa-preta” do antecessor. Assim o fez, e na hora do vamos ver, descobriu que só ele era aliado e a partir daí resolveu disparar contra o governador.
Nos dois casos e em outros, a situação é parecida. As lideranças se agregam ao grupo de Hartung, confiando em uma aliança e quando descobrem que são descartáveis no projeto político do governador, saem atirando. Mas isso é uma escolha, nem Theodorico, nem Casagrande foram obrigados a entrar nesse jogo e, também não estamos falando em políticos neófitos, principalmente, quando se fala em Ferraço, com meio século de estrada política.
Se aceitaram o jogo e deixaram de cumprir suas obrigações foi uma escolha exclusivamente deles. Não entenderam, como já entendeu o deputado Sérgio Majeski (PSDB), por exemplo, que existe vida fora do guarda-chuva de Hartung. O crescimento político do tucano não se dá necessariamente pela sua militância na educação, muito menos pelo apoio do partido. Ele se destaca porque não tem medo de expor suas ideias, mesmo que isso incomode o governador.
Não espera ser tirado do time para saber de que lado deve jogar. Ficar criticando agora parece birra. Pode até perturbar o governador, devido à sua alergia à crítica, mas dizer que isso abala o governo é bem diferente. Não adianta chorar pelo leite derramado.
Fragmentos:
1 – No dia 25 de outubro de 2015, o deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB) protocolou a Indicação nº 1.168/2015, em que solicitava ao Poder Executivo a ampliação e reforma da escola Dr. Afonso Schwab,em Cariacica, depois de observar a precariedade da unidade. Agora, a escola foi interditada.
2 – “Se o governo do Estado tivesse atendido nossa solicitação, os mais de 600 alunos, além do corpo docente e demais funcionários, não precisariam ser realocados agora, às pressas e sem nenhum planejamento. Que política educacional é essa?”, criticou o deputado nas redes sociais.
3 – Candidato a vereador em Colatina, noroeste do Estado, o estudante de Arquitetura e Urbanismo, João Marcos Cunha Filho, de 24 anos não se elegeu. Decidiu transformar a derrota em algo positivo para a sociedade colatinense e ao longo dos próximos quatro anos pretende transformar os 873 votos recebidos em 873 árvores plantadas no município.

