
A apatia política do ex-governador Renato Casagrande (PSB) gera, no quadro atual da política do Estado, um processo migratório para a hoste do governador Paulo Hartung (PMDB). Assim, como se a companhia de Casagrande fosse insegura, a ponto de criar efeitos no comportamento de aliados, como ocorreu com o deputado estadual Marcelo Santos (PMDB). Para entender a existência da arca de Hartung, é só olhar para dentro da Assembleia e da representação capixaba no Congresso nacional. Já há corridas para pegar o bilhete de embarque, como se ela fosse a própria Arca de Noé. A única, portanto. E produziu casos como o do deputado federal Paulo Foletto (PSB), que conseguiu entrar nela bem antes da hora.
Casagrande não entendeu ainda que existem dois polos de atração pela própria natureza do poder. Se não entender que um deles, no caso do Espírito Santo, o pertence, PH vai arrebentá-lo morro abaixo.
Embora ande Casagrande se defendendo bem dos ataques de Hartung, isso não produz acontecimentos políticos, básicos para os triunfos eleitorais, embora já exista a oferta de um governo, que em pouco mais de um mês, criou diversas áreas de desgaste, dando chance a levar umas boas porradas.
Essa omissão de Casagrande já anda a permitir que PH comece até a desovar parte do seu saco de maldade intimidando, principalmente, os que ainda gostariam de desfrutar da companhia de Casagrande. No norte do Estado, por exemplo, ele acabou com as parcerias de obras com os prefeitos que estiveram no palanque de Casagrande, exceção do de Boa Esperança, que esteva no seu palanque.
E ainda botou para assar a batata do deputado estadual Eustáquio Freitas(PSB), que nos últimos quatro anos foi o senhor absoluto da região norte do Estado. Controlava o setor de segurança, as verbas para as prefeituras e até apareceu no bárbaro crime do diretor do hospital Roberto Silvares de São Mateus. E também não há mais passagem disponível para ele ingressar na “Arca de PH”.
Enquanto Casagrande não vem, nem sei se virá, tenho até as minhas duvidas, movimentam-se, com o espaço que ele concede, os pretendentes à sucessão de PH. Ainda mais com a suspeita de que ele não será candidata à reeleição em 2018. Não só pelas suas manifestações a respeito, como também pelas perspectivas claras de um mau governo.
Assim, olhando para dentro do mundo hartunguete, vai encontrar, de imediato, o senador Ricardo Ferraço (PMDB), que se julga eterno candidato dele ao governo do Estado. Como se a hora, agora, fosse a dele. Diria que ele até tem essas condições, pela tolerância com os tombos que levou de PH.
Mas se PH resolver deixar mesmo o governo e entregar o posto ao seu vice, o tucano César Colnago, não vai ter para ninguém. Ricardo Ferraço e os demais interessados podem tirar o cavalinho da chuva. O sucessor de PH será o próprio Colnago. Um dos políticos mais espertos em ação, atualmente, no Espírito Santo.
Diferente de Ricardo, Colnago não é da confraria hartunguete. Ele é aliado. Por conta de ser um formulador político dos melhores dentro do leque de poder de PH, suas parcerias com ele já lhe renderam a presidência da Câmara de Vitória, da Assembleia Legislativa e mandatos seguidos de deputado federal.
Imagine PH entregando oito meses do seu governo a essa fera? Ele vai cumprir os oito meses e virar candidato à sua própria reeleição, sentado na cadeira de governador. Se isso acontecer, ele leva o governo. A não ser que Casagrande acorde a tempo e ocupe o espaço a ele reservado de conflitante de PH, pagando uma irrecusável dívida com a democracia capixaba.
PENSAMENTO:
“ O diálogo requer o reconhecimento dos próprios erros, a renuncia à atitude de dono da verdade e a liberdade de escolher o parceiro do diálogo”. Curt Nimuendajú

