Com a propaganda eleitoral iniciada, agora as eleições começam a chegar às casas das pessoas e às ruas. É hora de conquistar os votos da grande legião de indecisos, descontentes, indignados e descrentes da Política e dos políticos. Eleições indecifráveis. Vai ser necessária muita carga de emoções e lutas simbólicas para mobilizar corações e mentes. Razão só não vai ser suficiente.
No Espírito Santo, esta espécie de Corrida de 100 metros começa com aproximadamente 50% de alienação eleitoral para a candidatura a governador e 75% de alienação para a candidatura a senador. Tudo ainda em aberto na corrida governamental, embora com expectativa de vitória para Paulo Hartung (PMDB). E tudo rigorosamente embolado na corrida senatorial. Já nas proporcionais – deputado federal e deputado estadual – , vai ser necessário tirar leite de pedra. O eleitor médio não tá nem aí.
A indústria eleitoral já ligou os holofotes e já deu o alerta de “Câmeras, Ação”. Mas os cofres das Campanhas estão vazios e os doadores estão cabreiros e reticentes. Os fundos partidários alimentam os inícios de campanhas. Mas se os doadores não aparecerem, vai sobrar orçamento e faltar caixa. Nisto, as eleições também estão atípicas. Sem falar que nas ruas ainda nem parece que é período de eleições, de escolhas, de debates. Tudo ainda muito morno.
Neste cenário, tudo indica que as razões de votos que vão predominar ainda são desconhecidas e que as decisões de votos vão ser postergadas. Com possibilidades da legião de indecisos permanecer muito tempo como as esfinges: decifra-me ou devoro-te. Céu nublado. Inteligentemente, no meio das incertezas e descrenças, Paulo Hartung criou e difundiu uma expectativa de vitória na antes denominada classe média, a que formava opinião. Será que ainda forma? Enquanto isto, sua Campanha vai para o abraço, querendo aproximar-se das ruas. Mas este abraço pode ser uma faca de dois gumes.
Já o governador Renato Casagrande resolve, no dizer dele, tirar a poeira debaixo do tapete e comparar estilos e resultados. O que significa tirar a poeira? Mensagens cifradas não atingem e não sensibilizam o eleitorado médio. Podem cair no vazio. O que significa comparar resultados? Desfilar números? Por aí, também não vai.
Tanto Hartung quanto Casagrande ainda estão nas generalidades e platitudes. Em cenário político-eleitoral de alienação, frieza, desconfiança, indignação e vontade de não votar em ninguém, as generalidades e platitudes serão palavras ao vento e provocarão a sensação comum do mais do mesmo. Com abraço ou sem abraço.
Na medida em que setembro vier, o que deverá despertar o eleitorado será o foco nos detalhes, nas propostas específicas e georeferenciadas, para atingir a casa, o bairro, a vizinhança. O que os americanos chamam do “microtargeting”: as eleições do foco no micro, da disputa apertada, das propostas específicas, simples e diretas, auscultando o eleitor em sua casa. Neste sentido, mesmo os programas de Tv poderão/deverão ter efeito relativo e limitado na indução das razões de votos e decisões de votos.
Isto sem falar que, ao lado do foco nos detalhes, as candidaturas precisarão construir dimensões simbólicas, para além do abraço. O que significa simbolicamente a candidatura Paulo Hartung? O que significa simbolicamente a candidatura Renato Casagrande? Quem é, realmente, o personagem político Paulo Hartung? Quem é, realmente, o personagem político Renato Casagrande.
Como é que vai ter segurança para D.Maria ? Como é que vai ter saúde para Seu José? Como é que vai ter educação para Seu Pedro? Como é que Paulo Hartung vai cuidar disto tudo? E Renato Casagrande? Lembrando que o primeiro já esteve lá por oito anos. E que o segundo está lá por quatro anos…Vamos ter mais do mesmo?
O “espírito da época” é bem outro nestas eleições. Se os candidatos forem usar os mesmos “arsenais” da política tradicional e das eleições anteriores, é provável que tenhamos um recorde de alienação eleitoral e de não voto. Por enquanto, esta ainda é a perspectiva. Quando setembro vier, vamos saber melhor.

