A partir da quinta-feira (1), quando começa o mês de maio, o cenário político do Espírito Santo começará a definir seus contornos. E os dias que antecedem o início do novo mês estão cercados de movimentações políticas de bastidores e especulações sobre a postura das principais lideranças políticas envolvidas na disputa ao Palácio Anchieta.
O governador Renato Casagrande, ainda em sua entrevista de fim de ano, afirmou à imprensa que só falaria de eleição a partir de maio e há conversas sobre uma faxina na casa para preparar o terreno eleitoral. O governador, que vem cozinhando a classe política em banho-maria desde o ano passado, deve assumir uma postura mais agressiva na defesa de sua reeleição para o governo do Estado.
E como reza a Lei de Newton, a ação do governador deve provocar reações do outro lado. O processo de esvaziamento do palanque socialista deve sofrer uma aceleração por parte do grupo do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e as atenções devem se voltar, quem diria, para o enfraquecido PSDB.
Se Casagrande conseguir atrair os tucanos para seu grupo, esvaziará a principal estratégia eleitoral do grupo de seu adversário, que acena para uma terceira candidatura, com o intuito de radicalizar os ataques ao governador enquanto Hartung se posiciona de forma mais suave para conquistar o eleitorado.
Outra inquietação dos meios políticos é sobre o posicionamento do senador Magno Malta (PR), que mostrou nas pesquisas recentes um capital político capaz de aquecer a disputa. Resta saber se é possível um retorno ao cenário local, depois da movimentação no sentido de uma candidatura a presidente. Para os meios políticos o tempo passou e um retorno agora é intempestivo e arriscado, mas em se tratando de Magno Malta, tudo é possível.
Neste cenário de efervescência, não se sabe ainda qual o efeito que a suspensão do pedágio da Terceira Ponte terá na disputa eleitoral, tão pouco qual será o peso do interior na definição da disputa. Casagrande e Hartung disputam cada palmo do Estado, cada um a seu jeito, porque embora mais da metade do eleitorado esteja na Grande Vitória, até os pequenos colégios eleitorais são importantes em uma disputa polarizada. Pode definir a eleição.
Sem uma avaliação estadual publicada do cenário político, fica difícil medir a densidade da disputa entre Casagrande e Hartung, o que aumenta a ansiedade do restante da classe política. A partir de maio, porém, as posições podem se clarear e os movimentos das lideranças ser melhor avaliado, antes das convenções de junho.
Fragmentos:
1 – A divulgação da nota negativa da população de Vila Velha ao prefeito Rodney Miranda ainda tem gerado boatos no município. Chegou-se a falar recentemente que o prefeito estaria pensando em renúncia.
2 – Isso seria desastroso para a campanha do aliado Paulo Hartung, já que é o jeito Hartung de governar que está em prática no município. Mesmo com as tentativas de afastar sua imagem do prefeito, acaba respingando. Por isso não dá para levar a sério essa ideia.
3 – Está começando o show de denúncias dos prefeitos do interior pelo Ministério Público Estadual. Caso se confirme a expectativa de que os problemas da chuva trarão outros, será um festival.

