Conforme cantou Elis Regina, março é o mês da água. O tema desse ano para o Dia Mundial do líquido que nos cerca é Água e Empregos, para ressaltar que a fartura e boa qualidade da água podem mudar a vida dos trabalhadores e da produção de alimentos, transformando as sociedades e a economia. Segundo a ONU, 78% dos empregos que constituem a força de trabalho mundial são dependentes dos recursos hídricos. Mas todos nós dependemos deles.
No planeta que tem mais água do que terra, é a falta, e não o excesso de água que gera doenças, escassez de alimentos e pobreza. Sem mencionar as mortes na disputa pelas fontes de vida. Quase um bilhão de pessoas no planeta não têm acesso à água limpa. A cada 19 segundos, uma criança morre por doenças relacionadas com a água. Consumindo água limpa, as doenças caem em 88% e a mortalidade infantil em 99%.
Nos países mais pobres, as comunidades que não têm fácil acesso à água não podem desenvolver uma agricultura sustentável. Portanto, mais fome, mais pobreza. A tarefa de obter água para uso diário nas comunidades pobres fica por conta das mulheres e crianças de 8 a 13 anos. As crianças caminham entre seis e oito horas por dia – tempo que deveria ser passado na escola. As mulheres vão mais longe, caminhando 6 km – tempo que poderiam gastar em empregos remunerados ou em atividades artesanais que lhes garantissem algum provento.
Falando em tais problemas, pensamos na África e em outros países pobres – não o Brasil em desenvolvimento, terra farta onde se plantando tudo dá. Mas uma antiga marchinha de carnaval já cantava – “Lata d'água na cabeça, lá vai Maria…” E por aí vão as muitas Marias dessa boa terra onde os rios estão secando por ganância dos magnatas e incompetência ou onisciência dos governos. Nas nossas águas de março, “É o fundo do poço, é o fim do caminho / No rosto um desgosto…”
Entre 1906 e 1907, 33 pessoas nos Estados Unidos contraíram tifo em um restaurante comendo comida infectada pela cozinheira Mary “Tifo” Mallon. Foi por causa desse incidente que os proprietários de restaurantes passaram a afixar avisos nos banheiros, exigindo que os funcionários lavem as mãos ao retornarem ao trabalho. Em uma pesquisa recente, 64% das mulheres e 48% dos homens revelaram que lavam as mãos pelo menos seis vezes ao dia.

