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Terça, 01 Dezembro 2020

Alerta: brasileiros mais endividados

 

O alerta está ligado, prova disso é a intensificação do debate sobre o endividamento nos meios de comunicação. Vivemos uma ascendente em relação ao endividamento dos brasileiros nos últimos sete anos, fruto da publicidade agressiva e da facilitação para compras à crédito, da ascensão social com o aumento no poder de compra e, paralelamente,  da comprovada falta de educação financeira. Pesquisa recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo confirma o avanço: 64,1% dos brasileiros estão endividados, 23,3% estão com contas atrasadas e 8,4% não tem condições de saldar suas dívidas.
 
Este cenário é ameaçador para a saúde das famílias que, estimuladas a consumirem e privadas de políticas públicas que “ensinem” a relação saudável com o poder de compra, passam a vender o necessário, tentando pagar o supérfluo comprado por impulso e sem planejamento.
 
Para prevenir e tratar esse comportamento equivocado de consumo deve haver um esforço do Estado, através da área da educação; incluindo efetivamente a educação financeira no currículo escolar, como tema transversal, para levar informações, estimular reflexões, capacitar com ferramentas e desenvolver habilidades sobre o tema para os brasileiros desde a infância, gerando com isso consumidores conscientes; na área da saúde, capacitando os profissionais para a questão do adoecimento a partir do descontrole financeiro considerando-o no diagnóstico e na proposta de tratamento; na área jurídica, na orientação aos endividados e na intermediação para a reversão da situação. 
 
Há também o papel das empresas no repasse da educação financeira a seus colaboradores capacitando-os para uma relação positiva com os recursos financeiros e também tratando os endividados, como investimento da área da saúde ocupacional. As entidades de classe também podem e devem participar desse movimento, além de ser um dever de cada indivíduo e das famílias.   
 
É difícil viver numa sociedade evitando o desperdício, consumindo com consciência, priorizando os projetos maiores e vencendo a tentação diária do consumo pelo consumo, quando prevalece a ideia de que “somos o que consumimos”. Parece que o diferente é ser educado financeiramente. São pessoas às vezes tachadas como “pão duras”, pobres, que usam medidas que geram “atraso de vida”.  O crime cometido por elas?  Conhecerem suas finanças e por isso abdicarem de algo no presente em prol de outros sonhos que julgam  mais importantes para o futuro.
 
Analisando a relação entre o consumo sem planejamento e sua sustentabilidade, apontamos o reflexo psicossocial a partir da aquisição e posterior perda. Citamos o caso das 2.400 famílias capixabas que financiaram nos últimos seis meses a casa própria e, por não conseguirem pagar as prestações, acabaram perdendo seus imóveis. Outros adquiriram carros financiados e também tiveram que devolver.  Essas situações envolvem sentimentos de frustração, decepção, tristeza, passando de sonho a pesadelo e levando ao adoecimento.  
 
Todo sonho é possível de ser alcançado com planejamento, orçamento, priorização e escolhas, mas é preciso consciência para torná-lo sustentável. 


Ivana Medeiros Zon é assistente social,  especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira.
 Fale com a autora, mande suas dúvidas para [email protected]ulodiario.com

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