
Não poderia ter momento mais oportuno para a repercussão dos casos envolvendo o deputado estadual Elcio Alvares (DEM) durante o período em que foi governador biônico do Estado. Pois esse histórico, embora pra lá de condenável, é pouco ou nada conhecido pela população. A sujeira foi devidamente jogada para debaixo do tapete, o que permitiu ao deputado, ao longo desses anos, posar de político sério, democrático e fiel da Igreja Maranata, setor que garantiu seus mandatos de deputado estadual. Não só os governos protagonizaram essa omissão, mas também a imprensa corporativa e a própria classe política, que nunca perderam oportunidade de rasgar elogios a Elcio, como se fosse um exemplo de homem público. Foi desta forma, também, que ele assumiu a liderança da Assembleia no governo de seu aliado, Paulo Hartung (PMDB), e na atual gestão socialista de Renato Casagrande, onde ficou até outro dia e saiu porque quis. À frente da Casa, vestiu a mesma máscara de defensor da democracia. Com essa imagem deturpada, é mais uma vez candidato à reeleição. Em tempos de renovação e do discurso de combate à velha política é, sem sombra de dúvida, o nome do retrocesso. O ranço da ditadura militar nunca saiu de Elcio.
Pés na porta
Um viva às gavetas que se abrem para relatar essa história. Primeiro da jornalista Míriam Leitão, depois do colega Rubinho Gomes e, agora, de Rogério Medeiros, que conto na sequência – importante também o registro da jornalista Rose Duarte, na matéria publicada em Século, e de todos os comentários que ajudam a recordar fatos tão graves. Sobre o texto, que desmente a tentativa de defesa de Elcio, no plenário da Assembleia, às declarações de Míriam, disse ela: “maravilhoso artigo, e esse fecho é brilhante. Parabéns Rubinho”.
Lista extensa
Embora encha a boca para falar que é jornalista e nunca perseguiu a categoria, foi só o que Elcio fez. Rogério Medeiros, meu pai, também foi alvo do deputado. Na época correspondente do jornal Estado de S.Paulo, levantou casos de corrupção na gestão do então governador biônico. A resposta veio pelas mãos dos coronéis do Exército, que armaram uma arapuca a Rogério.
Lista extensa II
Como morava em Jacaraipe, costumava ser visitado por amigos, como Orlando Bonfim Neto, Hermógenes Lima Fonseca e etc. Os militares passaram então a fotografá-los à distância e idealizaram, pelos antecedentes políticos de meu pai, que ali era um aparelho subversivo. A estratégia veio em seguida.
Lista extensa III
Na qualidade de correspondente, Rogério frequentava diariamente a sala de Telex dos Correios, de onde enviava suas reportagens e notícias. Os militares simularam que havia um atentado a bomba nos Correios e partiram para prendê-lo. A sorte dele foi que, ao chegarem à cabine de Telex para pegar seu endereço residencial, os agentes foram surpreendidos com a informação de que o jornal tinha dois correspondentes no Estado. Foram atrás dos dois…
Lista extensa IV
Primeiro, pegaram o que ficava mais perto, em Jucutuquara, Odilon (editoria de Esportes). Quando chegaram ao 38º BI, viram que era o alvo errado e soltaram-o. Odilon comunicou o fato imediatamente ao Estado de São Paulo, que localizou meu pai e pediu para que ele deixasse o Estado imediatamente. Rogério se deparou com três viaturas do Exército no aeroporto. Passou direto e resolveu ir pela BR-101, mas em Viana, também havia um aparelho militar. Tentou retornar para casa, mas pelos relatos dos filhos, percebeu que ocorria algo estranho. Recorreu a amigos para fugir.
Lista extensa V
A saída foi entrar em uma Kombi de entrega de café torrado embalado e conseguiu, em meios aos produtos, sair de Vitória, por Viana. O que nunca se apagou da memória dele, porém, foi seu retorno, na companhia do diretor do jornal, Mário Cunha, para um encontro com Elcio, intermediado pelo governador de São Paulo da época. Elcio fingiu que não sabia de absolutamente nada e ainda ligou para o militar à frente da segurança do Estado na época para fazer o teatro: “Rogério é um esquerdista, mas jamais um terrorista”. Cinismo total.
Editado
Com tudo isso nas costas, o deputado ainda tem a ousadia – para não dizer outra coisa – de escrever um livro contando a sua trajetória, Memórias de meu tempo. Pergunta se tem esses casos lá? Pelo contrário, Elcio aparece como o rei do desenvolvimento da economia capixaba.
Burburinho
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é um dos palestrantes do 4º Fórum de Lideranças Empresariais de Aracruz, nesta sexta-feira (29), no Sesc Aracruz. A elite comparecerá em peso para discutir os projetos poluidores previstos para o município – Jurong, Imetame e etc. Sabe como é, onde os empresários estão, lá aparece a classe política. Ainda mais em tempos de vacas magras. Promete.
Figuração
Por falar em tucano e em festa, Luiz Paulo Vellozo Lucas realiza a inauguração oficial do comitê de sua campanha a deputado federal em Bento Ferreira, Vitória, nesta segunda-feira (1). Vítima constante de Hartung, Luiz Paulo o receberá como convidado de honra.
Gaveta
Alan Claudio de Melo (PCdoB), um dos autores do pedido de investigação da fatídica viagem a Nova Iorque do prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (DEM), informa que os procedimentos que acusam o demista de improbidade administrativa, um aberto na Câmara de Vereadores e outro no Ministério Público do Estado (MPES), estão empacados até hoje.
Gaveta II
Na Câmara, o processo não anda por motivos óbvios, já que são alvos 12 vereadores que garantiram a manobra para dar caráter legal à viagem do prefeito. Já o MPES, todo mundo sabe que lá tem gaveta de sobra, depende dos envolvidos. Por essas e outras, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) acaba de ser acionado para acompanhar o caso.
Gaveta III
A informação que se tem é que os processos estão nas mãos de um casal. Na Câmara, da diretora legislativa, Junia Carla Vargas Rigo Herzog; no MPES, do promotor Florencio Isidoro Herzog. Que “sintonia”…
Assumiu
Jorge Rocha Cardoso (PTC), o Jorjão, foi empossado na Câmara de Cariacica na noite dessa quarta-feira (27). Ele assume a cadeira do correligionário César Lucas, ex-presidente da Casa, licenciado por quatro meses para tratar de “assuntos particulares” – leia-se coordenar a campanha de Hartung no município.
Nas redes
“O Senado hoje é um local conservador, reacionário e coronelista, financiado pela indústria armamentista e do agrotóxicos e pela bancada do ódio e da intolerância”. (André Moreira – Psol – no Facebook).
PENSAMENTO:
“Ditaduras são parteiras de versões que se distanciam dos fatos”. Maria Celina D'Araújo

