O Brasil tenta pôr fim à famigerada “cura gay”. Uma tortura mental, sem fundamento cientifico que pode provocar lesões irreversíveis no psicológico de um ser humano. Uma invenção do fundamentalismo evangélico que provocou um debate nacional, gerando protestos e causando constrangimentos políticos.
Obra de autoria da ex-psicóloga Mariza Lobo – ex, porque teve seu registro cassado pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP) -, que já tinha estabelecido normas rígidas com relação a esse pseudo tratamento da orientação sexual de uma pessoa. A chamada “cura gay” vai na contramão das diretrizes da OMS (Organização mundial de saúde), que não reconhece a homossexualidade como doença, portanto, não passível de cura.
Mariza Lobo é fundamentalista evangélica e usa sua crença religiosa para apoiar a falsa terapia. O CRP também proíbe que psicólogos venham a público reforçar preconceitos sociais e que apontem os homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
Enquanto isso, no clima da Copa do Mundo, jogadores se posicionam contra a homofobia e promovem um mundo mais igualitário, quebrando estigmas e preconceitos. Esse movimento se junta a luta contra o racismo, que vem agredindo jogadores negros em várias partes do mundo, inclusive aqui no Brasil. O jogador brasileiro Neymar, afirma em vídeo postado no You tube, que “dentro do campo, não existe espaço para o preconceito, nem discriminação, somente para a arte de jogar”.
E essa semana a Nike, uma das mais importantes marcas esportivas do mundo, inclusive patrocinadora da Copa, lançou uma linha de produtos que marca o apoio ao público LGBT (Lésbicas, Gays, bissexuais, travestis e transexuais). Já foram lançadas outras coleções da Nike em homenagem ao orgulho gay, mas essa é especial pela proximidade da Copa, o que vai chamar atenção de todo o planeta.
E nos Estados Unidos mais um Estado legaliza o casamento igualitário, desta vez foi o Estado de Ilinois. A autorização está valendo desde o dia primeiro de Junho. Este é o 20º Estado a vencer a barreira do preconceito e reconhecer o direto ao casamento de pessoas do mesmo sexo. O amor vencendo o ódio e a segregação, a exemplo do que aconteceu com o direitos de negros e mulheres.
O ativista político Harvey Milk, o primeiro a lutar em prol da diversidade sexual, que em 1977 foi eleito para o conselho de supervisores de São Francisco, e no ano seguinte foi assassinado juntamente com o prefeito da cidade, Geoge Moscone, pelo ex-supervisor Dan White, está sendo homenageado com um selo dos Correios. O acontecimento esta enchendo de ódio um grupo religioso que se auto intitula American family association, que vem pedindo pela internet que os cristãos americanos boicotem o selo.
Por aqui continua a alta vendagem do livro de Jean Willys, Tempo bom, Tempo ruim. Jean que é político, assim com Milk, assumidamente gay, vem trazendo um balanço das conquistas e das perdas da militância LGBT no Brasil. O livro deveria ser lido por todos aqueles esperam um dia por uma sociedade mais inclusiva e equânime. O livro passeia pelas lutas sociais, pela homofobia, fala no racismo no futebol, fala de avanços e retrocessos nos direitos humanos.
Jean conta um pouco a sua trajetória como político e consciente de seu tempo. Uma boa oportunidade para reflexões e tomadas de posicionamento num país desigual, onde muitos lutam pela diversidade.
Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

