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Alvo fácil

(Atualizado às 20h38) O clima pesado que se instalou na Assembleia Legislativa com a manobra da CPI do Pó Preto mostra como o deputado estadual Rodrigo Coelho (PT) sai enfraquecido do processo. O petista tanto aprontou nas negociações à frente da coordenação do “blocão”, que a rasteira governista em cima do único “pai da criança”, Gilsinho Lopes (PR), serviu de estopim para revelar a insatisfação do plenário. Embora a reação não seja efeito somente da CPI, já que há algum tempo Coelho trabalha para beneficiar os nomes da base na distribuição de vagas na Casa, a clara traição para conduzir a investigação de maneira superficial escancarou de vez o papel que vinha exercendo o deputado do PT, aliadíssimo do governador Paulo Hartung (PMDB). No esforço de criar seu “grupo de elite” na Assembleia, Coelho incendiou o plenário e não conseguiu evitar o desgaste. A situação pegou tão mal, que ele foi obrigado a ceder. Para desgosto das poluidoras e do governo do Estado, Gilsinho será membro da comissão. Por “livre e espontânea pressão”.

Revolta

Frases do deputado Sérgio Majeski (PSDB) e Enivaldo dos Anjos (PSD), disparadas na sessão desta segunda-feira (23), indicam a quantas andam os ânimos. “Não pode haver preferidos e preteridos”; “a sociedade vai se lembrar dos corajosos, não dos covardes”.

Me engana…

O deputado Rafael Favatto (PEN), que executou a manobra com o pedido de abertura da CPI, quis colocar panos quentes na polêmica: “não entraria numa CPI se não tivesse carta branca de investigação”. “Tá”, agora conta outra.

‘Embromation’

A própria entrevista de Favatto ao jornal A Gazeta nesse domingo (23) prova o contrário e dá o tom da CPI. A investigação comandada pela base governista não vai dar em absolutamente nada.

‘Embromation I’

Logo de cara, Favatto diz que vai enfrentar a Vale e ArcelorMittal de acordo com a legislação vigente, defasada há 35 anos, e que há décadas serve de argumento para as empresas e governo afirmarem que os índices de poluentes estão dentro dos recomendáveis na Grande Vitória – imagina!

‘Embromation II’

Até quando tenta manifestar sua disposição em tomar medidas mais duras, como suspender as licenças ambientais, Favatto não convence: “vamos esgotar o diálogo”, afirmou ao jornal. Sobre o quanto pretende se aprofundar nas investigações, olha como ele foi “incisivo”: “o mais fundo possível”.

Embromation III’

Embora tenha tentado se esquivar, o presidente da CPI também não conseguiu afastar a ideia de que houve uma manobra palaciana para tirar a CPI das mãos de Gilsinho. E por mais que tentasse, é tão óbvio, que seria em vão. Por fim, Favatto ainda veio com aquela conversa para boi dormir, de que doações de poluidoras não interferem no mandato. É mole ou quer mais?

Relações

Está no mercado: a ex-secretária de Estado de Meio Ambiente, Diane Rangel, mal saiu do cargo e já está prestando serviços para empresa poluidora. Deve ser por isso que sua atuação era tão “isenta”.

Relações II

Assim como os últimos ocupantes da pasta, estratégica para a manutenção do sistema de poder que une grandes empresas e o governo do Estado, Diane atuou como uma facilitadora da consolidação dos interesses empresariais, em detrimento da qualidade de vida da população. O decreto estadual sobre os padrões para poluição do ar não me deixa mentir: engodo puro.

Última moda

O deputado Almir Vieira (PRP) está com tudo mesmo. Depois de aparecer na posse com terno prateado e brilhoso, nesta segunda desfilou com terno preto e de veludo na Assembleia. Só figurino estilo lançamento.

140 toques

“Só pra ajudar aos nossos deputados e a CPI sobre a origem do pó preto: procurem lá na Arcelor, porto da Vale e na Samarco”. (Ex-vereador de Vila Velha João Batista Babá – PT – no Twitter).

PENSAMENTO:

“Um bom país para viver é aquele em que as virtudes não são necessárias e no qual todos podem ser pessoas comuns, medianas e até mesmo um pouco covardes”. Bertolt Brecht

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