Por um bom tempo, principalmente, na década de 1970, o anarquismo ganhou força na sociedade diante da busca da sociedade por liberdade. Mas o capitalismo conseguiu naquele momento, convencer a sociedade que esse não era o melhor caminho, que a sociedade precisava de comando e ordem para funcionar bem.
É estranho que neste momento, o capitalismo inverte a coisa. Tenta derrubar a democracia, a lei e a ordem, que tanto pregou todos esses anos, como base da sociedade em seu favor. Quando percebe que a situação está desfavorável a eles, com as conquistas da classe trabalhadora e a diminuição do abismo entre as classes. Neste momento se subverte a ordem, se derruba uma presidente eleita e se coloca acima de tudo e de todos à decisão personalista de um juiz.
Passa o judiciário por cima de tudo e de todos e outorga a um único membro a decisão seletiva sobre quem é bandido e quem não é, de acordo com sua impressão. Todas as movimentações até aqui da Operação Lava Jato apontam para um único objetivo, legitimar o golpe dado no governo do Partido dos Trabalhadores (PT). Há denúncias sobre lideranças de vários partidos, mas tudo é devidamente selecionado pelo juiz Moro.
Mas, se a desobediência serve para um lado, abre brecha para que o outro lado também se aproveite. Por isso, o espaço está aberto para o movimento sindical. Como poderá a Justiça julgar agora ilegais as manifestações, as greves, diante das barbaridades cometidas nos processos encabeçados por parte do judiciário?
O momento, então, é de aproveitar a fragilidade da Justiça e ocupar o espaço que foi tirado da classe trabalhadora. Sabendo que já está em andamento uma tentativa de retirada de direitos, de destruição da consciência política, com a mexida no ensino médio e da proteção à elite, deve o movimento sindical aproveitar o momento para reagir.
É preciso mostrar que os trabalhadores não aceitarão calados o estado de exceção em vigor no País e que a luta pela manutenção das garantias alcançadas ao longo dos anos vai continuar, nas ruas, nas fábricas e na sociedade como um todo.
Desobediência civil já!

