Consumada a eliminação da candidatura do ex-governador Renato Casagrande (PSB) ao governo do Estado, conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Teodorico Ferraço (DEM), numa atitude típica de insanidade democrática, pois ela é de fazer inveja a Eduardo Cunha (presidente afastado da Câmara do Deputados).
A manobra engendrada após várias tentativas frustradas junto à própria Assembleia e ao Tribunal de Contas, por agentes políticos a serviço do governador Paulo Hartung, como o seu líder na Assembleia Legislativa, o deputado Gildevan Fernandes (PMDB) e o presidente da Comissão de Finanças da Assembleia, o deputado Dary Pangung (PRP), na preservação dos poderes discricionários do governador em busca do controle do próximo processo eleitoral como seu personagem central.
Tendo a lenda de sua invencibilidade ganhado mais consistência com esse precoce alijamento de Casagrande do futuro pleito para o governo do Estado. O único adversário eleitoralmente capacitado em acabar com essa fachada de invencibilidade que o governador se escora, construída à custa de proteção de correntes poderosas do Judiciário e do Ministério Público e da total submissão do empresário estadual.
Diante desse quadro, que outro político estaria em condições de substituí-lo nesse confronto com PH? É algo para não se ignorar. Pois comprovando-se que inexiste, proporcionará ao atual governador total segurança para levar os próximos processos eleitorais, com absoluto controle sobre eles, em condições de desconstruir qualquer outro nome que venha a surgir.
Embora não se possa afastar uma condição, por prematura que seja, em admitir que o ex-prefeito de Vila Velha e atual deputado federal Max Filho (PSDB), pela facilidade com que circula pelo Estado, possa, numa contingência totalmente especial, ocupar esse espaço. Mas é uma hipótese muito remota. Não só porque necessita ainda de construção, mas também porque o atual governador dispõe do controle total do PSDB. O seu vice, César Colnago, tem a chave da porta do partido.
Essa vacância de um nome para disputar o governo vai antecipar o beija-mão dos que querem renovar os seus mandatos legislativos bem como os que buscam as prefeituras. Pois a atmosfera dos pleitos (estou considerado as eleições municipais de 2016 e 2018) vai ficar à disposição do atual governador.
Essa ameaça tem tudo para ser a moldura da próxima eleição caso o ex-governador Casagrande realmente não reaja imediatamente com a força política que passou a dispor. Ele precisa começar a exercê-la no comando oposicionista agora nas eleições municipais, fortalecendo palanques pelos quais possa impor derrotas a PH.
Casagrande tem que sair desse cerco a que foi submetido após a perda imimente da sua condição em disputar o governo. Deixando o governador com a folga em exercitar o que ele mais gosta na política: construiur e destruir livremente.
Ante a esse cerco, não dá mais para Casagrande pronunciar-se tão somente por meio das redes sociais, como acabou de reagir ao golpe na CPI dos empenhos que o alijou da disputa do governo. O poder político de Casagrande, hoje, no Espírito Santo exige dele a organização de uma oposição para impedir que a barbárie democrática ocorra pelas mãos de quem quer materializar a tirania no Espírito Santo.

