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Antes tarde do que nunca

Nesta quarta-feira (10) está programada a greve geral convocada pelas entidades sindicais em todo o País. Antes tarde do que nunca. A coluna vem reclamando do posicionamento do movimento sindical, que está demorando para ir para a rua e vem com um viés interessante: a necessidade de o trabalhador ter condições de igualdade no processo eleitoral. 
 
Foi difícil o movimento entender o quanto esse momento é importante. Foi preciso que a sociedade desse o primeiro passo, seguida pela presidente da República, Dilma Rousseff, que levantou a lebre da reforma política, com pontos fundamentais, que deveriam estar na cabeça da pauta de reivindicação do movimento há muito tempo. 
 
A questão do financiamento público de campanha é um dos pontos mais relevantes não só para a classe trabalhadora, mas para toda a sociedade, para que finalmente possa haver igualdade de condições nas disputas e um maior controle dos gastos durante e após as campanhas. 
 
Se bem que na prática o sistema hoje também é público, já que as empresas financiam seus candidatos e deixam de pagar imposto. Mas, o que se vê é um aprisionamento da classe político aos interesses do capital. Basta ver como se divide o congresso com suas bancadas ruralistas, da indústria, comercio, evangélica, entre outros. 
 
Essas bancadas dominam as discussões no Congresso, fazem as leis visando a atender os interesses de seus financiadores em detrimento do interesse público. Essa lógica é que sustenta esse sistema de corrupção que tantos malefícios trazem ao desenvolvimento do país e da população. 
 
Outro ponto que não pode ficar de fora das discussões nesse momento é o fim do imposto sindical. É justamente esse mecanismo que emperra os sindicatos. À custa de 60% – porque o restante vai para o governo – de um dia de trabalho do trabalhador se criam verdadeiras carreiras no sindicalismo. Enquanto isso, a classe trabalhadora continua à mercê dos acordos de gabinete entre direção sindical e patrão. E quem discorda, muitas vezes, não tem direito sequer de disputar a direção do sindicato. A oposição é excluída, também com acordos de bastidores, que mudam estatutos ou perseguem os opositores no chão da fábrica. 
 
Não basta ir para a rua. O momento político no Brasil mostra que o movimento sindical está perdendo o bonde da história. Precisa haver uma avaliação interna da postura dos representantes dos trabalhadores, promover a luta de classe e fazer a capacitação das lideranças políticas para disputar dentro do espaço institucional os direitos da classe trabalhadora. 
 
O momento é este e a hora é esta!

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