Quarta, 29 Junho 2022

​Antissemitismo e a Noite dos Cristais

O antissemitismo na Alemanha não surgiu com o Nazismo, pois remonta ao século XIX, por movimentos nacionalistas, e já era presente através de personalidades alemãs da época como Hermann Ahlwardt e Wilhelm Marr. Por sua vez, Hitler e os nazistas levantaram a tese de culpa judaica na derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, propalavam que os judeus tinham um plano de dominação mundial, e faziam críticas ao liberalismo econômico e ao capitalismo financeiro, pois afirmavam que estes eram dominados por judeus.

Esta ideia conspiratória ganhou corpo em um livro de origem russa de autor desconhecido que foi sucesso de vendas na Alemanha, de título Os protocolos dos sábios de Sião, que foi um dos clichês mais conhecidos desta teoria da conspiração contra os judeus no mundo. Por sua vez, o discurso nazista se alimentou desta ideia dos judeus como bodes expiatórios e fontes da perseguição do governo nazista e também por parte de civis alemães.

O Partido Nazista assumiu o poder na Alemanha em 1933 e tinha no antissemitismo um de seus eixos ideológicos. As medidas contra os judeus tiveram uma evolução contínua neste contexto do poder nazista na Alemanha, começando por uma orientação, inicialmente, mais eugenista do que antissemita.

A eugenia já representava uma ideologia de purificação da raça alemã, em que se buscava promover esta purificação colocando como alvo de discriminação grupos como os de ciganos, pessoas com transtornos mentais, deficiência física e doenças hereditárias, e homossexuais.

Em 1934, contudo, o Partido Nazista inicia o resgate de sua popularidade, diante de um cenário de desemprego e preços ainda inflacionados, com uma orientação abertamente antissemita, junto com a sociedade alemã, que se voltava cada vez mais contra os judeus, exigindo medidas de segregação por parte do governo. Portanto, em 1935 começa a aumentar a violência contra os judeus na Alemanha nazista.

O Partido Nazista tinha seu programa escrito em 1920, que em seu artigo 4 º dizia que os judeus não deveriam ser considerados membros da raça ariana/alemã. Diante disto, grupos antissemitas exigiram que este programa nazista fosse cumprido, com a aprovação de leis discriminatórias. E uma das exigências foi a proibição de relações sexuais entre alemães (arianos) e judeus.

Cartórios, então, começaram a negar casamentos interraciais e as lojas dos judeus foram boicotadas, ao passo que apareciam dizeres antissemitas espalhados pelas cidades alemãs. E uma lei proibindo casamentos interraciais foi aprovada em maio de 1935.

Até setembro de 1935, Adolf Hitler ainda não pensava em aprovar novas leis antissemitas, mas, diante do VII Congresso da Internacional Comunista que declarou guerra contra o Fascismo no mundo, e um encontro com o dr. Gerhard Wagner, um médico a favor de leis contra os judeus, acabaram por convencer Hitler a aprovar novas leis antissemitas. Durante um dos comícios anuais de Nuremberg, Hitler apresentou estas novas leis.

O que surgiu foram as chamadas Leis de Nuremberg, que formavam um conjunto de leis que tratavam das questões de miscigenação e cidadania alemã. Estas leis foram redigidas por ordem direta de Hitler, aprovadas por ele em 15 de setembro de 1935, e pelo Reichstag (Parlamento Alemão) no dia seguinte.

Este conjunto de leis se agrupavam em três que eram a "Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemã", "Lei de Cidadania do Reich" e "Lei da Bandeira do Reich". Estas chamadas Leis de Nuremberg foram o passo decisivo para a consolidação da segregação e exclusão dos judeus da sociedade alemã. A violência contra os judeus aumentou e culminou com o evento chamado Noite dos Cristais em 1938, que foi um pogrom contra os judeus organizado pelos nazistas na Alemanha em 9 e 10 de novembro de 1938.

O termo pogrom define um ataque organizado contra um determinado grupo de pessoas, mas se refere sobretudo aos ataques contra judeus. A Noite dos Cristais foi um marco da violência contra os judeus na Alemanha nazista, pois, a partir deste acontecimento, que se deu a organização dos campos de concentração de judeus, local em que eram aprisionados em massa.

O nome deste pogrom, Noite dos Cristais, por sua vez, se refere à quantidade de cacos de vidros que se espalharam pelas ruas das cidades da Alemanha nos locais em que ocorreram os ataques. A chamada Noite dos Cristais aconteceu devido à uma represália de um atentado feito por um estudante judeu em Paris contra a embaixada alemã na capital francesa, em que o diplomata alemão Ernst vom Rath foi alvejado e morreu horas depois.

O estudante realizou o ataque como vingança contra a expulsão de seus pais da Alemanha. Este atentado produziu tanto uma propaganda antissemita na Alemanha como motivou uma série de ataques contra judeus em diversas partes da Alemanha. Adolf Hitler, líder da Alemanha Nazista, e Joseph Goebbels, ministro da Propaganda, reuniram-se para decidir que ação tomar diante do atentado, e foi orquestrado o pogrom, de forma que não se percebesse o papel do governo alemão nos ataques.

As lideranças regionais do Partido Nazista foram informadas das ordens e as tropas de assalto (SA) foram mobilizadas. As ordens foram repassadas às tropas de assalto no dia em que se comemoravam os 15 anos do Putsch da Cervejaria, um golpe que os nazistas tentaram realizar na Baviera. As gangues fizeram os ataques da Noite dos Cristais à paisana, para que não houvesse a vinculação dos ataques ao Partido Nazista.

Uma das consequências do pogrom da Noite dos Cristais foi o aprisionamento em massa de judeus em campos de concentração, que eram três: Dachau, Buchenwald e Sachsenhausen. O total foram de 30 mil judeus presos pela polícia.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
Blog
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