Os movimentos dos últimos dias do governador Paulo Hartung (PMDB) mostram que sua estratégia para tentar resolver o mapa eleitoral antes mesmo de a eleição começar, fracassaram. Em uma eleição muito atípica, a velha fórmula de balão de ensaio, pressão para afunilamentos e desconstrução de adversários não funcionou.
Para piorar, os aliados que pareciam bem na disputa, agora precisam de ajuda. Não vai ter jeito, Hartung vai ter de entrar na disputa eleitoral, gravar programa, como fez para Erick Musso (PMDB), em Aracruz. Também é esperado em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, para caminhar com o candidato Jathir Moreira (SD), candidato do presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM).
Em Vitória, o comentário é de que ele já teria o mapa da cidade, com o objetivo de dar uma impulsionada no candidato Lelo Coimbra (PMDB). Já em Vila Velha, sem muita coisa para fazer em favor do prefeito Rodney Miranda (DEM), tenta encontrar um espacinho no palanque de Max Filho (PSDB), apostando que o tucano vai para o segundo turno com chances de vitória.
Hartung não quer perder em locais estratégicos para seus aliados. Na disputa indireta contra Renato Casagrande, seja antecipando o pleito de 2018, seja ainda reverberando o resultado de 2014, Hartung quer vencer a eleição de dentro do gabinete, mas os tempos são outros.
O governador não é mais unanimidade e suas lideranças estão divididas. Ninguém quer ficar contra ele, mas ninguém desconsidera Renato Casagrande, que rivaliza com ele o controle da política estadual. A diferença é que enquanto suas articulações de bastidores fracassam, Renato Casagrande segue na rua e só não cumprimenta poste, porque poste não estende a mão.
O governador passou o período eleitoral todo dizendo que ninguém encontraria suas digitais nos palanques Estado afora, mas agora vai ter que sair da zona de conforto se quiser vencer o jogo de xadrez contra Casagrande.
Fragmentos:
1 – Em Alegre, no sul do Estado, o clima na eleitoral esquentou depois que os vereadores decidiram aumentar seus salários em 50%, de R$ 4 mil para R$ 6 mil na semana das eleições. Dois vereadores atuais são candidatos a vice-prefeito, um na chapa de Zé Guilherme (PSDB), e outro na chapa de Nirrô Emerick (SD).
2 – Já em Jaguaré, no norte do Estado, o candidato do PDT, Marcos Guerra, tenta se aproveitar do cenário polarizado e confuso entre os grupos de Florisvaldo Klippel (PMDB e do prefeito Rogério Feitane (PMN), que decidiram levar o pleito para o campo judicial. O pedetista corre por fora, sem se envolver na briga já histórica dos grupos políticos da cidade.
3 – Nas eleições proporcionais em Vitória, os vereadores estão encontrando dificuldade no retorno às suas bases. É que os campos estão sendo ocupados por novas lideranças, que podem dar trabalho para a reeleição de muita gente.

