Desde o final de setembro, há muita movimentação nos meios políticos para as trocas de partidos, articulação que deve voltar a esquentar em abril, quando for aberta a nova janela de migração para quem quer disputar a eleição municipal. Mas a impressão diante das trocas que já foram feitas é de que há muito mais confusão do que acomodação e aí há vários fatores que influenciam no cenário.
O primeiro é a confusão causada pela própria minirreforma, que fez com que os partidos novos, sobretudo a Rede Sustentabilidade, perdesse a oportunidade de filiar interessados por causa do exíguo tempo que foi dado entre a criação do partido e a sanção da lei que impediu as novas filiações.
Mas não foi só esse percalço que atrapalhou a vida de lideranças políticas no Estado. O prefeito Audifax Barcelos ajudou a criar a Rede, mas não conseguiu o controle do partido para atrair os quadros para fortalecer a legenda e, consequentemente, sua imagem como articulador do partido.
Por outro lado, há lideranças que não estão sabendo escolher um partido que acomode seus capitais. É o caso do deputado estadual Amaro Neto que deixou o PPS para se livrar do prefeito de Vitória, Luciano Rezende, hoje desafeto do governador Paulo Hartung. Pode-se dizer que Amaro não fez exatamente a melhor escolha.
Ele pretendia ir para a Rede, mas acabou se filiando ao Partido da Mulher Brasileira (PMB), que cresceu em um primeiro momento, mas vive um período de encolhimento agora que a janela de abril está confirmada. O deputado estadual Rodrigo Coelho quer evitar o desgaste do PT, mas não consegue encontrar um partido que lhe abrigue. Já conversou com o Pros, foi negado na Rede, cogitou o PTB e agora estaria flertando com o PDT. Enquanto isso, o PT se articula para pedir na Justiça seu mandato de deputado estadual.
Tem ainda outro fator que influencia nessa dança das cadeiras. É natural que alguns prefeitos busquem migrar para o grupo do governador. Mas os prefeitos do PSB estão em verdadeira debandada, buscando se aproximar do Palácio Anchieta.
O que neste caso não vai adiantar muito, afinal o governador já tem o mapa político de 2016 nas mãos e já escolheu seus aliados, independentemente dos partidos que estejam vinculados.
Fragmentos:
1 – A impressão dentro do PT hoje é de que o a permanência no governo se tornou algo insustentável. A ala sindical, sobretudo aquela ligada ao campo e aos servidores públicos, não concorda com as medidas de ajuste do governo, mas está desconfortável para fazer a cobrança.
2 – O governador Paulo Hartung (PMDB) não gosta de protestos. Imagine se o movimento social resolver ir para a porta do Palácio Anchieta por causa do aumento de mais de 12% na tarifa do Transcol.
3 – E por falar no governador, Hartung está feliz da vida com a citação da revista Veja sobre equilíbrio das finanças do Estado.

