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Arma nova

Não tem jeito. O crime ambiental causado pela Samarco/ Vale em Mariana/MG e que trouxe um mar de lama para o Rio Doce até sua foz, em Regência, Linhares, vai entrar na pauta do Estado de vez. O comprometimento com empresas que trazem destruição em vez do prometido progresso deve pesar no palanque. 
 
Mesmo com a sanção do item da minirreforma eleitoral que proíbe a doação de empresas para candidatos, o passado não morre. Está lá nas planilhas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para quem tiver paciência de pesquisar. E para o passado virar arma no jogo eleitoral, é um pulo. 
 
A avaliação é simples. Se você recebe dinheiro da empresa e deixa de cobrar, de fiscalizar de fazer com que ela cumpra todas as exigências, não só para respeitar o meio ambiente, mas para não por em risco a vida das pessoas, você é corresponsável por qualquer tipo de situação adversa. 
 
Foi o que revelou o rompimento da barragem em Mariana. Enquanto a barragem funcionava normalmente, todos estavam felizes. Os governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), estavam felizes. Eles até davam tapinhas nas costas dos diretores da Samarco
 
Hartung encontrou uma boa saída para tentar não se comprometer. Está se expondo o mínimo possível. Mostra preocupação e se apressa em buscar soluções, mas não aponta do dedo para cobrar da empresa. Preferiu uma ferramenta que já está gasta de buscar figuras que tenham respaldo na sociedade para desviar o foco. 
 
Não é a primeira vez que o governador usa desse expediente. Fez isso antes mesmo de chegar ao governo do Estado. No período de transição, ele tentava evitar a federalização do caso Denadai – o que traria uma complicada intervenção federal para o Estado –, que depois se transformou em missão especial, com a vinda do juiz Alexandre Martins para o caso. Foi importante para Hartung mostrar o apoio de lideranças populares para evitar a federalização, o que colocaria toda a administração estadual submetida ao governo federal. 
 
Para evitar isso, posava ao lado de Dom Silvestre Scandian, líder na época da Igreja Católica, e o então presidente da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES0Agessandro da Costa Pereira. Ou seja, esse jogo já é conhecido. 

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