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Armas eleitorais

Nos últimos dias, o governo do Estado foi brindado com algumas agendas positivas que colocam o governador Renato Casagrande bem na fita. Mas dizer que isso lhe traz vantagem de saída na disputa eleitoral é mais complicado. Se não forem bem trabalhados, os destaques do governo podem não ajudar no convencimento do eleitorado. 
 
Na semana passada, o governo anunciou, com festa, a obtenção da maior nota de avaliação que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) já fez entre os projetos voltados a políticas de segurança pública, nos últimos dez anos. A nota 9,5 foi a mais alta já registrada entre as avaliações do BID.
 
Em função da boa avaliação, o governo anunciou investimentos de US$ 70 milhões no Estado Presente nos próximos cinco anos: 56 milhões de dólares repassados pelo BID e outros 14 milhões de dólares em recursos do governo do Estado.  O investimento na Segurança foi uma promessa de campanha de Casagrande e uma vantagem em relação ao governo Paulo Hartung, que não apresentou nos dois mandatos um plano de segurança para o Estado. Além disso, as denúncias de tortura nos presídios capixabas ajudaram a complicar a situação do Brasil perante a comunidade internacional. 
 
A vantagem existe, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido até que os índices de criminalidade caiam de forma sensível e a sensação de segurança comece a ser sentida pela população.  A notícia por si só não afeta o cidadão comum em um primeiro momento, logo não se converte em votos nas urnas.
 
Ainda na semana passada, a notícia de que Espírito Santo foi apontado pelo Índice Transparência como o Estado mais transparente do País, com nota 8,96, também se configura em uma agenda positiva para o governador Renato Casagrande. A pauta, porém, é tão distante do cidadão comum que dificilmente essa agenda traz um imediato ganho político para o governo. 
 
Nesta segunda, a divulgação do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM), criado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) para acompanhar a evolução dos 5.565 municípios brasileiros, revelou em sua 6ª edição que 75 dos 78 municípios capixabas (96,2%) apresentaram nível de desenvolvimento alto ou moderado, bem acima da média nacional, de 60,7%. O índice avalia o ano de 2011, ou seja, antes da queda de receitas dos municípios e pode servir de arma para o palanque adversário, já que o índice de 2011 pode ser considerado um resultado do trabalho até ali. Não foi, mas dados podem ser usados de acordo com o interesse do freguês. 
 
Enfim, Casagrande tem dados bons nas mãos para apresentar, mas só aproveitará esse efeito se conseguir superar uma imagem consolidada de seu antecessor como bom gestor. Hartung investiu em seus dois mandatos na criação de uma imagem blindada de seu governo. Então, desconstruir essa imagem será muito difícil. O governador terá de apontar os problemas do governo passado. Mas como ele fará isso se foi eleito no palanque do antecessor, com a bandeira da continuidade? 
 
Fragmentos:
 
1 – Alguns partidos mostram conflitos internos diante da insistência de seus caciques em caminhar com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Muita gente do PT e PDT quer continuar no palanque de Renato Casagrande. 
 
2 – No PT, esse impasse mostra como o partido está realmente em uma posição de fragilidade em relação ao jogo político do Estado. O partido é feito de debates entre as correntes, o que é normal, mas a posição de Iriny é a posição da militância, que tem ficado em segundo plano já há algum tempo no partido.
 
3 – Já no PDT, o total controle do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal cria situações de inquietação dentro do partido. Ele está garantindo para a eleição de deputado federal, mas os aliados querem também sua fatia.

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