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Quinta, 05 Agosto 2021

​Arrancada eleitoral

O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), acionou com mais força o motor da sucessão do governador Renato Casagrande (PSB) na última sexta-feira (23), ao encarnar a voz dos insatisfeitos, capitalizando politicamente o movimento de empresários ansiosos pelo retorno à normalidade do funcionamento do comércio e de outras atividades econômicas. Chamando para si os pleitos dos lojistas, donos de escolas particulares, sindicatos e federações, o deputado mexe no cenário político e aponta para alianças que remontam a 2016, época em que o então governador Paulo Hartung (sem partido) colocou o dedo em sua trajetória política, passando a exercer uma influência nunca desfeita.

A reunião realizada por Musso com representantes do setor ultrapassa o campo meramente econômico e se coloca na base de uma estrutura político-partidária, com desdobramentos relevantes de imediato, um deles nesse sábado (24), protagonizado pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, do Republicanos, também com estreitas ligações com o ex-governador. Basta ver a composição do seu secretariado, em que se sobressaem figuras do núcleo hartunguista, entre elas os secretários da Fazenda, Aridelmo Teixeira, e de Governo, Roberto Carneiro, presidente estadual do partido.

É articulação eleitoral para 2022, em sentido oposto ao caminho trilhado por Casagrande, que deve tentar a reeleição, e governadores cujas gestões batem de frente com o negacionismo de Jair Bolsonaro (sem partido), uma das principais causas das quase 400 mil mortes da Covid-19 no País, e motivo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia a ser instalada no Senado, nesta terça-feira (27). Engrossam as fileiras do Republicanos, do empresário Edir Macedo, um dos 12 partidos de apoio ao governo federal, dois filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro.

Um cenário ainda não totalmente definido em nível nacional. Isso porque a direita liberal, incluindo partidos oportunistas, tem empecilhos de achar um candidato à Presidência da República para preencher uma terceira via com capacidade de romper a barreira de polarização representada pelas candidaturas do ex-presidente Lula e Jair Bolsonaro, no caso de o atual presidente completar o mandato. Nos estados, no entanto, as articulações começam a esboçar candidaturas ao governo e ao Senado e a definir nomes para concorrer às casas legislativas. Erick Musso, inicialmente apontado como postulante a uma vaga na Câmara Federal, pode ser direcionado a outro patamar, até mesmo o Palácio Anchieta. Ou então ceder lugar ao ex-governador Paulo Hartung.

Sua movimentação junto a empresários do setor comercial, com a participação do prefeito da Capital e de vereadores aliados, tem o sentido de oposição ao posicionamento do governo do Estado, como pôde ser visto na fala de Pazolini, ao dar sustentação a Erick Musso: "Nós estamos ao lado do setor produtivo, nos manifestando, lutando, deixando claro que temos posição e lado". Em decorrência desse posicionamento, o tabuleiro eleitoral começa a mostrar as pedras, algumas ainda encobertas, como o ex-governador, mas que, mais cedo do que se pensa, entrarão no jogo.

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