Os atritos entre a Assembleia Legislativa e o Ministério Público Estadual, e entre o Ministério Público de Contas e o Tribunal de Contas revelam um cenário preocupante para o Palácio Anchieta. Os tempos são outros e as pessoas à frente dos poderes também.
Não é segredo para ninguém que a governabilidade de Hartung em seus dois primeiros mandatos foram garantida graças a um forte arranjo institucional, que extrapolava a coalizão política e se configurava em um processo de unanimidade, em que o Executivo se tornou um poder absoluto.
Naquele momento, o elo frágil desse arranjo era a Assembleia Legislativa, que foi alvo de muitas denúncias e críticas. Os deputados estaduais para garantir a sobrevivência política adotaram uma postura de submissão e a oposição no plenário era inexistente. Recebiam em troca da fidelidade a acomodação de aliados e o reforço em suas bases.
Desta vez a situação é diferente, já que o governador não tem mais as mesmas ferramentas para manter a unanimidade sob controle. Não tem uma imagem imaculada, o que contribui para uma popularidade negativa, e no horizonte visualiza lideranças políticas em condições de enfrentá-lo no futuro.
Neste sentido as rusgas entre os poderes criam uma situação arriscada para o governador, pois expõem a fragilidade do arranjo e enfraquecem ainda mais o Executivo. Em um momento em que o governador estaria articulando a rejeição das contas de seu principal desafeto político, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), a pressão sobre o plenário da Assembleia é um elemento muito negativo.
Os deputados desde o início desta legislatura têm entrado em confrontos isolados no plenário, sobretudo entre os mais fieis aliados de Hartung e os deputados independentes – já que não se pode falar em oposição na Assembleia –, mas quando uma denúncia coloca pressão sobre alguns deputados, o corporativismo vai falar mais alto e a casa pode se unir.
Nessa história, quem pode sair prejudicado é o governador. Se ele não conseguir contornar a crise entre MP e Assembleia, vai ser cobrado dos dois lados e vai ter de se posicionar. De uma forma ou de outra vai haver perda, afinal o arranjo tem de envolver todos os entes, um elo fraco pode ruir toda a articulação.
Fragmentos:
1 – O diretório do PMDB de Vila Velha realiza neste sábado (29) sua convenção municipal, que será de 9h às 12 horas, na Câmara de Vereadores. O partido tem um trunfo para a eleições municipais: o deputado Hércules Silveira, que é um capital disputado pelos palanques eleitorais.
2 – Na eleição passada, o deputado foi um dos principais cabos eleitorais de Rodney Miranda (DEM). No próximo ano, em um cenário de eleição muito disputada, Hercules pode ser um apoio que desequilibre o pleito.
3 – Em 2008, Hércules disputou a prefeitura contra Neucimar Fraga e levou o pleito para o segundo turno, quando foi abandonado pelos aliados. Se ele repetiria o desempenho é difícil dizer, dado o interesse palaciano na disputa municipal, mas que ele tem popularidade, tem.

