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As fraturas da infidelidade

Uma eleição municipal que vai ser palco de muito tiroteio é a da Serra. O confronto certo é entre o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) e o atual prefeito Audifax Barcelos(em trânsito do PSB para a Rede), mas o ex-deputado estadual Vandinho Leite, o mais novo tucano no ninho, corre por fora de olho num tropeço dos rivais.Quem também quer entrar nessa corrida é o deputado federal petista Givaldo Vieira. Sua candidatura, porém, depende depende da harmonização das correntes internas do seu partido.
 
Agora, se for realmente concretizada à saída do Audifax Barcelos do PSB, o partido deve lançar na disputa o deputado estadual Bruno Lamas, parlamentar de “Zorro”, ou seja, candidato de vingança do ex-governador Renato Casagrande (PSB).  Lamas, inspirado por Casagrande, pode jogar em Audifax a mácula de infiel, o que pega sempre muito mal.
 
Bruno Lamas entra na disputa com as credenciais de Casagrande, que derrotou Hartung na disputa do ano passado no município, e não deve deixar barato o golpe que Audifax armou para ele. O ex-governador dispõe de um candidato jovem e doido para entrar numa disputa com competidores fortes, mas que vivem o risco de saturação de imagem junto ao eleitorado serrano. 
  
De uma coisa, estou certo: o ex-governador não vai deixar barato a infidelidade do Audifax. Casagrande foi cabo eleitoral de Audifax na disputa à prefeitura. Depois de eleito, também não pode se queixar que foi desamparado pelo então governador, que não poupou recursos ao município.  
 
Quando falei acima da saturação das imagens de Vidigal e Audifax, não coloquei na roda a questão da infidelidade, que é  marca política do Audifax. Essa história de infidelidade não começou com Casagrande, mas com seu próprio criador, Sérgio Vidigal.  Mormente agora em que ele  estará  frente a frente com seu criador, ntrazendo à tona esse ato de infidelidade com Vidigal. 
 
Sérgio Vidigal usou o seu prestígio político com o eleitor serrano para fazer Audifax prefeito – no sentido figurado e usual no linguajar político, elegendo um “poste”. 
 
Entretanto, desde sua primeira sentada na cadeira de prefeito, Audifax se descolou de Vidigal a ponto de ganhar sua própria expressão política, o que lhe permitiu assumir um antagonismo muito forte com o próprio Vidigal.  Tanto que o seu atual mandato tem sido em cima do Vidigal. 
 
Por essa e outras,  Audifax mostrou-se um político de um enorme espantoso imediatismo, a ponto de flutuar, até  com relativo êxito, entre Paulo Hartung e Renato Casagrande. Ancorava o seu barco no porto de um e de outro, conforme a conveniência política da hora. Foi secretário de  Hartung, deputado federal pelo partido do Renato.  prefeito. 
 
Sua meta agora é aproximar-se do governador Paulo Hartung, mas não está tendo muito êxito – embora tenha destinados cargos importantes na prefeitura a um elenco de hartunguetes. O governador é grato a Vidigal, que nas eleições para o governo botou o PDT a serviço da eleição dele, mesmo com a nacional do partido fechada com o PT.
 
Já as chances de Audifax poder contar com o apoio de Hartung são praticamente nulas e muito menos com o do ex-governador Renato Casagrande. Audifax terá de ir para disputa sozinho e carregando a marca da infidelidade. Ele terá agora que explicar as infidelidades praticadas contra Vidigal e Casagrande, a consumar-se com a saída dele do PSB, que deve ser confirmada nesta terça-feira (22), quando o Tribunal Superior Eleitoral analisa o pedido de criação da Rede Sustentabilidade.

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