A questão emocional pode ser um fator importante em qualquer situação em que haja disputa. Quando se fala em uma disputa eleitoral, então, nem se fala. Neste sentido, o governador Renato Casagrande precisa lidar uma carga emocional muito forte para conseguir levar sua campanha até o fim. Além da batalha pelos votos contra um candidato fortíssimo, seu antecessor, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), ele tem vivido um carrossel de emoções nos últimos meses.
Casagrande perdeu o pai, a quem era muito ligado, às vésperas das convenções partidárias. A esperança que acalentou até o último momento de que pudesse ter em sua chapa o apoio do ex-governador Paulo Hartung não se concretizou. Depois foi a vez do senador Ricardo Ferraço (PMDB) abandoná-lo.
Nem bem se recuperou deste golpe se viu em meio à substituição de seu candidato ao Senado, já que o delegado Fabiano Contarato desistiu da disputa. Ainda bem, que havia no palanque um substituto pronto para entrar em campo, o ex-prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga (PV).
Veio agosto e com ele Casagrande perdeu dois amigos e correligionários, primeiro o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, o presidenciável do partido, e exatamente uma semana depois perderia o deputado estadual Glauber Coelho. Os dois em circunstâncias trágicas.Têm sido dias difíceis para o governador.
Casagrande tem se concentrado em rebater os ataques do ex-governador Paulo Hartung, não assumiu o papel de vítima e não está apelando para o emocional do eleitor. É uma característica interessante a capacidade de resiliência de Renato Casagrande.
Em meio às perdas pessoais, Casagrande não pode esquecer que está em um processo político importante. A mudança no palanque nacional precisou ser feita rapidamente, pois o jogo estava em andamento. No Estado, também será necessário intervir na discussão sobre o espaço político do sul do Estado. Afinal, Glauber Coelho estava na cota dos deputados reeleitos nas apostas do mercado político. É preciso ocupar o espaço. Casagrande tinha na Assembleia um deputado fiel, não pode deixar que esse espaço seja ocupado por um nome ligado ao palanque adversário.
O governador teve perdas importantes e dolorosas. Há duas semanas sua agenda de campanha está praticamente paralisada. Mesmo sendo um momento difícil, vida que segue e existe uma campanha para ser disputada. O adversário não vai ficar esperando o governador se recuperar e jogar a bola para fora quando ele voltar a campo. Nesta disputa não há fair play.

