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As poluidoras são uma ameaça e ponto final

A franquia dada às grandes poluidoras dos chamados países desenvolvidos para transferirem para solo brasileiro, mais precisamente para o Espírito Santo, os setores poluentes de suas operações, ou seja, parte suja do negócio, sempre foi uma tragédia anunciada. Pressionadas nos seus países pelos movimentos ambientais organizado, lá pelos anos 60, criaram as condições necessárias para pôr fim à vida do rio Doce.
 
Criminosamente abatido por uma empresa, a Samarco, com a qual a Vale, depois de privatizada no governo Fernando Henrique Cardoso, divide o capital com uma outra sócia, a anglo-australiana BHP Billinton.
 
A dimensão desse crime ecológico, está na circunstância da extinção na vida de um rio considerado o maior e mais importante do litoral brasileiro (quinta maior bacia brasileira) e que criou condições socioeconômica a várias regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo, resultando na criação de uma gigante da mineração: a Companhia Vale do Rio Doce (anos 40 do século passado).
 
E é ela quem realmente inicia a prática de crimes ambientais no Espírito Santo a partir da instalação inadequada do porto de Tubarão com suas usinas de pellets. Exatamente na passagem do vento nordeste, que haveria de ser condenada pelo cientista Augusto Ruschi
Contudo, as previsões de Ruschi, por mais apocalípticas, ficaram aquém da realidade de hoje na Grande Vitória, atacada pelo pó preto e cheirando a dióxido de carbono.
 
Talvez tenha faltado Ruschi prever a subserviência dos governadores biônicos do período da ditadura civil-militar e na sequência com Paulo Hartung (PMDB), em que a Vale, assim como a CST, hoje Acelor-Mittal, e a Aracruz Celulose (Fibria) passaram a integrar um sistema política, pela qual fornece recurso financeiro necessário à eleição de uma Assembleia Legislativa subserviente, nos mesmos moldes como a bancada federal no Congresso Nacional e o próprio governo do Estado.
 
Intocável, enfim. Afinal, é ela também, junto com as demais que aportaram no Espírito Santo pelas facilidades ambientas, que, ao longo de mais de 50 anos, banca as publicidades da Rede Gazeta e Tribuna, no trabalho de ocultar os seus crimes ecológicos, com fanfarras noticiosas de primeiras passagens. 
 
Para completar essa somatória de situações criminosas ecologicamente escondidas, sobretudo do povo capixaba, há o surgimento, nesse cenário do rio Doce agonizante, de uma notável figura, um brasileiro consagrado no mundo todo, o fotógrafo, nascido nas barrancas do rio Doce (Aimorés), Sebastião Salgado.
 
Com uma proposta de recuperação parcial do rio com dinheiro da Vale e de outras empresas da mesma matriz de destruição do meio ambiente, sobretudo no Espírito Santo, a iniciativa de Salgado é equivocada. É querer dar reputação ambiental a que não tem. A única maneira de nos livramos das poluidoras é fazer com que paguem pelos seus crimes ecológicos. É preciso dar um basta neste processo destrutivo que vem diariamente envenenando os nossos rios e o ar que respiramos.

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