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Ataques contra o Irã

Ação foi batizada de Operação Fúria Épica

O governo norte-americano começou seus ataques militares contra o Irã. Junto a Israel, com uma ação batizada de Operação Fúria Épica, foi realizada uma ofensiva aérea e cibernética para atingir áreas militares e a própria cúpula do regime teocrático. O ataque executado pelo Comando Central dos Estados Unidos foi autorizado por Trump, num plano detalhado pelo chefe do Estado Maior, general Dan Caine, com informações combinadas com dados das Forças de Defesa israelense. 

As primeiras providências foram a prontidão das baterias antiaéreas em bases terrestres e embarcações norte-americanas. Caças foram carregados com mísseis e aviões de reabastecimento foram preparados para a decolagem. Os porta-aviões Abraham Lincoln e Gerald Ford navegaram para os seus pontos de lançamento para realizar as decolagens das aeronaves. O general Caine disse que o objetivo era realizar um ataque com “velocidade, surpresa e violência”.

Trump confirmou a participação dos Estados Unidos em “grandes operações de combate”, na defesa do povo norte-americano, ao eliminar ameaças iminentes do regime teocrático do Irã, incluindo a recorrente questão deste país de não obter armas nucleares. Além de Teerã, foram bombardeadas também as cidades de Qom, sede de instalações subterrâneas do programa nuclear iraniano, Karaj, em que se concentra os centros de pesquisa de tecnologia de mísseis, Kermanshah, local estratégico para a Guarda Revolucionária, perto da fronteira com o Iraque, e Isfahan, com um dos principais complexos de enriquecimento de urânio do Irã.

O planejamento prévio da operação feita pelos Estados Unidos e por Israel, junto à prontidão da resposta iraniana, com Teerã antecipando a possibilidade de um ataque e já com planos de retaliação, estão ligadas à velocidade e à amplitude da sucessão de eventos. Da ofensiva bilateral a uma crise regional, bastou um intervalo de menos de quatro horas. O ataque ocorreu à luz do dia, pelo fato das agências de inteligência norte-americanas estarem sabendo que o então líder supremo do Irã, agora morto, o aiatolá Ali Khamenei, se encontraria com membros da cúpula do Conselho de Segurança Nacional às 9h40 do horário local, em um complexo residencial.

Este era o “evento deflagrador” a que se referia o general Caine, que era a possibilidade de eliminar Khamenei logo no início da operação. Com a morte do aiatolá, a ação foi bem-sucedida. Enquanto Israel priorizava a eliminação da elite política e militar do regime iraniano, os Estados Unidos bombardearam prédios e estruturas usadas pelas forças do Irã, incluindo bases navais, marinha de guerra, estruturas para lançamento de mísseis e locais usados pela inteligência iraniana. E antes dos ataques militares aéreos, ocorreram investidas virtuais em que o Comando Cibernético e Espacial dos Estados Unidos lançaram ações não cinéticas de guerra eletrônica e ataques hackers para prejudicar as comunicações e os radares do Irã.

Isso tinha como objetivo fazer com que os postos avançados da região só reportassem avistamentos de aeronaves e o respectivo comando só conseguisse perceber a invasão após a destruição de alvos iniciais, não dando chance de defesa nesse primeiro momento. A primeira onda de ataques atingiu mais de 1.000 alvos nas primeiras 24 horas, o que incluiu ataques por parte de caças invisíveis de 5ª geração, salvas de mísseis Tomahawk, bombardeios invisíveis B-2, aviões de detecção avançada de mísseis e guerra eletrônica. Por exemplo, 100 aviões norte-americanos e salvas de mísseis Tomahawk, lançados de navios de guerra dos Estados Unidos, formaram uma onda sincronizada de ataques.

Caças de 4ª e 5ª geração foram utilizados nos ataques, os mais avançados, de quinta geração, incluindo os das forças norte-americanas que são os F-35 e F-22 Raptor, o que há de mais moderno em aviação, invisíveis aos radares inimigos através da utilização da tecnologia stealth, com sensores que compartilham dados em tempo real. Esses estão sendo usados no Irã para destruir seus sistemas de defesa aérea, e os navios de guerra dos Estados Unidos já podem se aproximar sem serem detectados e abater mísseis com precisão, além dos caças escoltarem bombardeiros.

Os caças de quarta geração são os F-15 e os F-14, que deram lugar a caças utilizados nas guerras da Coreia e do Vietnã, que tinham capacidades de velocidade e de combate de longa distância. Esses F-15 e F-14 são os que, atualmente, os Estados Unidos têm em maior quantidade, e que servem para bombardear instalações militares, como estruturas de lançamento de mísseis balísticos, depósitos de munição, fábricas de armamentos e casamatas. Tais caças atuam após os de quinta geração e os mísseis Tomahawk já terem destruído as defesas antiaéreas.

O F-18 Growler, também de quarta geração, tem função de guerra eletrônica e é lançado de porta-aviões, emitindo ondas de rádio de alta frequência para causar interferências nos radares inimigos. Neste caso do Irã, seus operadores passaram a receber ruído e falsas informações de alvos em seus radares, facilitando a entrada dos aviões de ataque contra o país. O general Caine revelou também o uso de bombardeiros estratégicos invisíveis ao radar, os B-2 Spirit, nesses ataques contra o Irã.

Tal uso desses bombardeiros já havia ocorrido na Guerra dos 12 dias em junho do ano passado, em que houve lançamento de bombas GBU-57 MOP, capazes de penetrar dezenas de metros no subsolo com o objetivo de atingir bases subterrâneas e destruí-las. Naquela ocasião, o alvo era a base de Fordow, em que o país iraniano realizava enriquecimento de combustível nuclear. Somente os Estados Unidos possuem o bombardeiro B-2 Spirit e a bomba GBU-57, que foi desenvolvida especificamente para conseguir perfurar dezenas de metros de concreto e rocha antes de ser detonada.

Com essas aeronaves que partem dos próprios Estados Unidos, com voos de mais de 37 horas de duração, ainda se somam aos B-2 Spirit, por conseguinte, os chamados bombardeiros supersônicos B1-B Lancer, para destruir bases iranianas de lançamento de mísseis de longa distância contra Israel. O think-tank de Estudos da Guerra afirmou que esses B1-B Lancer podem transportar 34 mil quilos de bombas e estão sendo utilizados para atacar sistemas de lançamento de mísseis balísticos iranianos. Junto a isso também estão sendo usados aviões para a detecção de lançamento de mísseis em solo iraniano.

Os Estados Unidos afirmaram ainda a utilização de drones kamikaze do tipo Lucas, similares aos iranianos Shahed, e que são de produção rápida e barata, atacando alvos usando tática de enxame, em que centenas de drones são lançados ao mesmo tempo para atingir as defesas aéreas inimigas. Por sua vez, as Forças de Israel afirmaram o envio de cerca de 200 aeronaves que saíram de suas bases aéreas até começarem seus ataques pelo oeste do Irã, destruindo defesas antiaéreas e bases aéreas.  O objetivo israelense era eliminar a elite política iraniana, principalmente em Teerã.

O general Caine classificou o resultado dos primeiros ataques da coalizão Estados Unidos-Israel como o alcance da chamada superioridade aérea local, e isso já no primeiro dia de combate. Os voos sobre o Irã e os ataques acabaram degradando cada vez mais as defesas aéreas iranianas. E essa superioridade aérea ocorreu sobretudo pelo fato de que um lado possui uma vantagem em que pode realizar missões sem perdas, e quando a defesa não representa mais um risco efetivo, passa a ser uma supremacia aérea, e que foi declarada por Israel e pelos Estados Unidos já no domingo do dia 1 de março.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
Blog: poesiaeconhecimento.blogspot.com 

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