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Ataques kamikazes

O deputado Euclério Sampaio (PDT) não está mais sozinho na sua inglória missão de “bombardear” a casamata palaciana. O pedetista arrumou um aliado abnegado, disposto a arriscar a própria pele para manter a posição na trincheira instalada na Assembleia: Paulo Roberto. Sessão após sessão o peemedebista vem mostrando para o colega do PDT que está pronto pra guerra. 
 
Os dois, tamanha obstinação, chegam a lembrar os pilotos japoneses da Segunda Guerra Mundial: os kamikazes. Os aviadores tinham a missão de jogar seus aviões contra os alvos inimigos. O idealizador dos ataques suicidas, vice-almirante Takijiro Onishi, defendia a tese de que só uma nova concepção de guerra poderia causar uma reversão dos acontecimentos, diminutas eram as chances dos exércitos japoneses ante ao poderio norte-americano. 
 
Vejamos caso a caso. Euclério, como muita gente já comenta por aí, está atirando para todos os lados, mas sem direção. O deputado atira, atira, e acaba se esquecendo dos alvos. Em meio a rajadas tão fartas, vira e mexe, ele acerta em “alguma coisa”, mas nem ele mesmo sabe em que acertou. Lembra um frequentador de parque de diversões que brinca despretensiosamente na barraca de tiro ao alvo, atirando a esmo sem saber qual será a prenda que receberá no final: uma embalagem de naftalina ou um urso de pelúcia tamanho gigante. 
 
Em menos de um ano, desde que chegou à Assembleia pela vaga de suplente, o pedetista já disparou — só para citar os alvos mais graúdos — contra o “posto fantasma” de Mimoso do Sul; a cobrança de pedágio da Terceira Ponte; os tanques de Paul e, mais recentemente, entrou na polêmica com o comandante da PM, coronel Edmilson dos Santos, que foi chamado de “frouxo” pelo deputado. A estratégia é simples: mostrar à população que está credenciado para ser o “tal” representante das ruas. O político que não tem medo, que não se intimida, que está disposto a enfrentar a todos para atender aos anseios do povo. Quanta imaginação!
 
O salseiro armado durante a votação do Orçamento 2014, quando o deputado aceitou emplacar a proposta de R$ 10 milhões para a construção do hospital geral de Cariacica, foi impagável. Uma encenação mexicana de segunda em que Euclério aceitou fazer o papel de “vilão” em nome dos colegas.
 
Paulo Roberto, hartunguete de carteirinha — foi líder (e fã) do governo na Assembleia na gestão de Hartung —, também sonha em se consolidar como representante das ruas. A aposta é atirar para na direção do governador para ajudar Hartung e, de quebra, tentar ganhar musculatura para uma reeleição improvável.
 
Paulo Roberto viu em Euclério o parceiro ideal para centrar fogo no governo. O deputado mateense, que também conseguiu um assento na Assembleia pela suplência, vem armado até os dentes para o combate.
 
Na votação do Orçamento, a exemplo de Euclério, Paulo Roberto também atirou como pode. Embora não tenha identificação alguma com a luta dos 11,98% encampada pelos servidores da Assembleia, o peemedebista, percebendo que a polêmica recairia diretamente no colo de Casagrande, decidiu entrar na briga. 
 
Na sessão desta terça (10), um requerimento de Euclério para que o procurador-geral Rodrigo Júdice compareça à Assembleia foi motivo de um novo salseiro. O pedetista quer que Júdice explique os motivos dos embargos impostos ao pagamento dos 11,98%. 
 
Diante da resistência dos colegas pela aprovação do requerimento, Euclério disparou: “Bastou um cardápio para deixar os deputados de quatro”, referindo-se ao almoço dos parlamentares com o governador do Estado, nesta terça.
 
Paulo Roberto, rapidamente, se postou ao lado do mais novo aliado de “oposição”. Os dois também, por coerência à posição de adversários declarados do Anchieta, fizeram questão de não almoçar com o governador nesta terça. 
 
É temerário saber que Euclério e Paulo Roberto se reconhecem como deputados de oposição. É desalentador para um parlamento contar com dois deputados politicamente fracos, que reivindicam a condição de críticos do governo apenas por circunstância, oportunismo mesmo.
 
Seria positivo para democracia e consequentemente para a população capixaba se de fato tivéssemos uma oposição formada por parlamentares preparados, sérios,  politicamente maduros, dispostos a fazer política de alto nível. O que a Assembleia menos precisa é de oportunistas de ocasião que se atiram aos alvos teleguiados pelo ex-governador. 
 
A exemplo dos kamikazes, com essa estratégia suicida, Euclério e Paulo Roberto não devem ir muito longe. 

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