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‘Atestado de inocência’

Tudo leva a crer que os responsáveis por esse crime ecológico hediondo vão sair impunes, sem pagar pelas vidas que tiraram, o sofrimento humano que impuseram a milhares de brasileiros, os ecossistemas que destruíram, com bem disse recentemente ao jornal Valor Econômico, um dos mais importantes geólogos deste País, Álvaro Rodrigues dos Santos.
 
Utilizo esse espaço sempre para falar de política estadual, mas não dá para ficar indiferente quando tudo caminha para se resolver em benefício dos próprios autores, antigos marginais na prática de crimes ecológicos, sobretudo no Espírito Santo. Estou me referindo, principalmente, à Samarco-Vale
 
Essa tragédia ambiental foi capaz de destruir até hábitos culturais e sócioeconômicos, paisagens natural, além de tanta história de vida soterradas pela lama.  Álvaro Rodrigues dos Santos classifica esse crime como um crime anticivilizatório.
 
Mas nada é mais alarmante na fala do geólogo, quando ele diz que uma barragem de rejeitos de mineração tem tempo de vida razoavelmente curto, pois, uma vez completado seu preenchimento por material sólido, é abandonada e substituída por outra. Dessa ocasião de transitoriedade por surgir a perigosa noção de que não se justificam maiores cuidados técnicos com a obra para torna´-la mais barata. Trata-se, segundo Santos, de uma interpretação perigosa e infelizmente comum em obras do gênero, como nesse caso da Samarco.
 
Ele diz que o único responsável pelo que possa acontecer a uma barragem é o seu proprietário. E, que no caso de Mariana, sempre foi uma situação previamente combinada de acidentes imediatos.
 
Tragédia que só ocorreu, portanto, por descaso da Samarco-Vale, acostumada a tratar a questão ambiental com absoluto descaso, porque há mais de 30 anos opera contando com a impunidade. Assim como a Acelor-Mittal e Aracruz Celulose (Fibria).
 
Aí temos a cumplicidade dos governos, da classe política, do Judiciário e até de dos escribas, a socorro, nesses momentos de grande instabilidade, à Samarco-Vale.
 
Mas sou daqueles, como o nosso colunista Geraldo Hasse, que entende que esse crime hediondo não pode ficar impune, como querem, entre outros, os governadores do Espírito Santo e de Minas Gerais, que defendem que podem contar com recursos da própria Samarco para a recuperação dos ecossistemas, como forma de livrá-la desse crime que não tem outra saída que não seja a cadeia aos culpados. A punição severa seria o único caminho para evitar que essas empresas continuem a sacrificar vidas e a destruir ecossistemas.

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