terça-feira, março 24, 2026
24.9 C
Vitória
terça-feira, março 24, 2026
terça-feira, março 24, 2026

Leia Também:

Atrás da vitrine

Os resultados das escolas públicas estaduais no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano mostraram que o governador Paulo Hartung (PMDB) não conseguiu cumprir uma das suas principais promessas de campanha. No calor da disputa ao governo, ele dizia que iria “revolucionar a educação”. O segredo da “mágica” já tinha um nome pomposo: “Escola Viva”. 
 
O programa foi o abre-alas do bloco social do novo governo, que prometia reparar os projetos sociais negligenciados nos seus dois mandatos anteriores. Mais tarde se entenderia, graças à lucidez e ao conhecimento de causa do “deputado (educador) Sérgio Majeski (PSDB), que o Escola Viva não passava de um produto de vitrine para esconder a dura realidade da educação pública capixaba. 
 
O deputado, após percorrer mais de uma centena de escolas de norte a sul do Estado, desvelou a precariedade da rede pública, com unidades escolares sem as condições mínimas necessárias para garantir um processo de aprendizado digno ao educando. 
 
Ao expor a situação caótica da rede pública, Majeski deixou claro por que se posicionava contra o Escola Viva. Ele admitiu que a escola em tempo integral sempre foi uma demanda histórica da educação, mas ponderou que o problema da qualidade da educação não passa necessariamente pelo regime em tempo integral ou de meio turno. Majeski lembrou que a maioria das escolas bem avaliadas da rede privada funciona em meio turno. “O que primeiro precisa ser atacado são as necessidades fundamentais para uma boa educação: infraestrutura das escolas, qualificação e remuneração dos professores e condição de acesso e permanência dos alunos. Se os recursos são escassos, deveríamos usá-los para resolver pelo menos um dos problemas básicos da educação. Apresentar um novo modelo educacional [Escola Viva] sem resolver os mais elementares problemas da educação, ‘é tapar o sol com a peneira’”. 
 
O professor está coberto de razão. O resultado do Enem não o deixa mentir. O baixo aproveitamento dos alunos das escolas estaduais escancara a inoperância das políticas públicas do governo Paulo Hartung para a área. Três escolas estaduais ostentam os piores resultados do País. 
 
Parte desse péssimo resultado se explica pelo abandono das escolas da rede pública, como tem denunciado o deputado do PSDB nestes dois anos de mandato. Para piorar, boa parte dos recursos, já insuficientes para educação, foi aplicada no Escola Viva. O governador não economizou recursos para tentar tornar o programa o produto mais reluzente da vitrine. 
 
Só com publicidade, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) gastou mais de R$ 5 milhões este ano. Boa parte desse recurso foi usada para promover o Escola Viva. Um programa que deve atender no ano que vem 3.950 alunos em cinco unidades. Esse número representa pouco mais de 3% do universo de alunos matriculados no ensino médio da rede pública estadual. 
 
Quem topa com a publicidade do Escola Viva pode até se impressionar. O problema é o que está escondido atrás da vitrine. Escolas sucateadas e sem condições de oferecer um ensino digno e de qualidade aos alunos, como revelou o deputado Sérgio Majeski nas suas andanças. 

Mais Lidas