Presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado estadual Cláudio Vereza (PT) teve participação decisiva no episódio que impediu a criação da CPI do Pó Preto na Assembleia Legislativa. Na coordenação da bancada do partido na Casa, foi ele quem deu a direção à votação dos demais colegas contrária ao pedido e saiu com a imagem arranhada. Não por menos, pois traiu seu próprio histórico político e ainda as antigas bandeiras de luta do PT – estas, aliás, há muito foram abandonadas. Logo depois vieram as mobilizações populares e o tema continuou a assombrar Vereza e os demais deputados que barraram a investigação. Virou demanda das ruas. O deputado petista então esperou a “poeira baixar” e anunciou a realização de audiência pública, nesta quarta-feira (11), a primeira de uma série para discutir os impactos ambientais e à saúde dos capixabas provocados pelo pó preto. Uma clara tentativa de se reconciliar com a pauta dos protestos. Como quem diz: eu não assino CPI mas promovo debates, o caminho é este. Não mesmo. A diferença entre uma audiência pública e uma CPI é gritante. E quem domina o palco do show no primeiro caso, sem exceção, são o poder público e as poluidoras. Não vai dar em nada.
Atrás do prejuízo II
Essa corrida contra o tempo para tentar mostrar identidade com as ruas são apenas sintomas eleitorais. Nos últimos anos, quantas audiências públicas foram realizadas na Assembleia para discutir poluição do ar ou qualquer outra questão ambiental relevante? Nem mesmo discursos são feitos nessa direção. A relação é de gentileza e serventia.
Atrás do prejuízo III
Ah, Vale e ArcelorMittal estarão presentes. Na Assembleia, elas se sentem em casa.
Atrás do prejuízo IV
Já a secretária de Estado de Meio Ambiente, Diane Rangel, olhe só, vai palestrar com o tema: “Histórico dos 13 anos de Monitoramente e Plano Estratégico de Qualidade do Ar”. Papel do poder público em audiência pública deveria ser responder aos questionamentos e apresentar cronograma de ações. Ponto.
Detalhe
Na história do desmate ilegal sem exigência da reserva legal concedida pelo Idaf à empresa Marbrasa Mineração, do megaempresário Camilo Cola, vem à tona outra informação. O diretor técnico do órgão, Eduardo Chagas, é antigo militante do PMDB, partido do deputado federal.
Peso
Já circulam comentários em Colatina de uma candidatura a deputado estadual do Frei Honório, pelo PT, que incomoda os concorrentes pelo seguinte: será o nome do bispo do município Dom Décio Sossai Zandonadi. Por lá, apoio dele é considerado “meio caminho andado”.
Haja igreja!
O vereador de Vitória Davi Esmael (PSB) realiza mais uma sessão solene para homenagear os evangélicos. Desta vez, os 30 anos do novo templo da Igreja Assembleia de Deus Memorial. Mesmo caminho do pai, o ex-vereador Esmael Almeida (PMDB). Área é a melhor de votos.
Repressão
O BME mais uma vez “reinou” nos protestos. No sábado, Dia da Independência, pois os carros à frente dos bois e iniciou o conflito. Teve de tudo: bombas de efeito moral lançadas dentro da Ufes, balas de borracha, atropelamento e – dizem – até tiro com arma letal. Os manifestantes não conseguiram chegar nem ali. Força um tanto desproporcional. O grupo era pequeno.
8º ato
Nas redes sociais, o movimento “Não é por 20 centavos, é por direitos” convida para a próxima mobilização, nesta quarta-feira (11): “a Gazeta atenta contra a verdade todos os dias (…), diga não à mídia corporativa”. Movimento está afinado com o resto do País, que protesta contra a Rede Globo.
Nas redes
“ E ai? Polícia para quê?”. (Não é por 20 centavos, é por direitos – no Facebook).
PENSAMENTO:
“Uma reunião onde há mais de duas pessoas vira comício”. Golbery do Couto e Silva

