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Auto-homenagem

Na noite desta quarta-feira (18) a Assembleia realiza sessão solene em homenagem ao Dia do Professor (15 de outubro). A sessão proposta pela Comissão de Educação, que é presidida pelo líder do governo na Casa, deputado Rodrigo Coelho (PDT), vai homenagear professores e gestores da área com a Medalha Educador Capixaba Renato Pacheco e a Comenda da Ordem do Mérito Paulo Freire. Até aí, tudo bem. O problema é que entre os homenageados estão o governador Paulo Hartung (PMDB) e o secretário de Educação Haroldo Rocha. 
 
O deputado Sergio Majeski (PSDB), com razão, questionou os ilustres homenageados. Ele lembrou que a honraria deveria ser dirigida apenas a educadores e instituições das redes pública e privada do Estado, o que não inclui Hartung e Haroldo.
 
Inconformado, Majeski formalizou um recurso contestando as homenagens. Nessa segunda-feira (16) a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), como já se esperava, indeferiu o recurso. A CCJ justificou que “a resolução de concessão de medalha é um ato administrativo e não uma proposição legislativa, por isso é de competência privativa da Mesa Diretora”. 
 
Majeski, obviamente, não engoliu a justificativa e convocou a comunidade escolar para participar da homenagem desta noite. Hartung deve estar com a barba de molho. Se os militantes da educação aceitam o convite do deputado e baixam na Assembleia para “prestigiar” o governador, a noite de congratulações vira vexame para Hartung.
 
Seria constrangedor não só pela forçação de barra da homenagem em si, mas, sobretudo, pelo fato de a gestão de Hartung ser responsável pela precarização da educação. Como denunciado por Majeski, o governo do Estado não aplicou o mínimo de 25% na educação (caso denunciado pelo deputado à Procuradoria-Geral da República), fechou nos últimos anos mais de 50 escolas e 500 salas de aula, além de turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Pergunta o deputado: “Vamos homenagear um governador que está sucateando a educação?”.
 
Além da homenagem forçada, os questionamentos de Majeski desvelam que a política de educação de Hartung é de uma nota só. O único atrativo da vitrine do governador são as 17 unidades do Escola Viva que, a propósito, também serão homenageadas nesta noite. Como registrou Majeski, o governo não reconheceu mérito em nenhuma das 400 escolas da rede pública estadual sem o selo do Escola Viva. Será que, apesar de todas as dificuldades, não há uma única escola fazendo um trabalho que merecesse uma homenagem? Na visão do governo, parece que não. Não por coincidência, o secretário Haroldo, na ocasião do lançamento da primeira unidade do Escola Viva, afirmou que as outras escolas da rede eram “chatas”. 
 
Mas chata mesmo é uma política que precariza a educação, faz investimentos seletivos em um programa-vitrine em detrimento da rede, acaba com os concursos para contratar professores em regime de designação temporária e ainda se autopremia.

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